Dinis Proença e Guilherme Marques vieram de Belmonte para a Universidade da Beira Interior (UBI), onde iniciam agora percursos académicos diferentes, Dinis em Inteligência Artificial e Ciência de Dados e Guilherme em Engenharia Aeronáutica. Já se conheciam, mas o Dia de Acolhimento permitiu-lhes alargar o círculo de relações, nomeadamente através do contacto com Miguel Guerreiro, de Olhão, que, tal como Guilherme, entrou em Engenharia Aeronáutica. Entre origens e percursos distintos, os três encontraram na iniciativa um primeiro espaço de contacto com outros estudantes e de construção das relações que vão marcar os próximos anos na Universidade.
“Esta iniciativa é bem pensada, dá para conhecer várias pessoas de todos os cursos, dá para nos integrarmos com outros caloiros e com mais pessoas que já cá estão há algum tempo”, explicou Dinis Proença. Para o estudante, o convívio tem sido “essencial” neste primeiro contacto com a Universidade.
Guilherme Marques destacou precisamente a oportunidade de juntar estudantes provenientes dos diferentes polos da UBI. “O facto de juntar todos os estudantes de todos os polos aqui no mesmo sítio acaba por fazer com que nós interajamos com outras pessoas”, afirmou. A experiência estava, por isso, a superar as suas expectativas: “Estou a gostar muito do dia”.
A chegada à UBI foi, para outros estudantes, acompanhada por viagens de muitas horas e pela distância da família e dos amigos. Miguel Guerreiro, de Olhão, viajou cerca de seis horas de carro para chegar à Covilhã e iniciar o seu percurso em Engenharia Aeronáutica. Apesar do cansaço da viagem, considerou que “valeu a pena” e destacou a disponibilidade de quem tem acompanhado os novos estudantes e as atividades desenvolvidas ao longo do dia.
Para Maria Teixeira, de Armamar, a entrada em Ciências do Desporto representa o início de um percurso que pretende conduzir ao sonho de ser professora de Educação Física. A escolha da UBI resultou da procura por universidades com o curso que pretendia, mas também do “interesse pelos desportos de inverno”. No primeiro dia, a expectativa passa por crescer pessoalmente, conhecer pessoas e integrar-se na comunidade académica.
São experiências diferentes, mas com um ponto em comum: o primeiro contacto com uma Universidade que pretende que os novos estudantes encontrem, desde o início, mais do que o seu curso e a sua sala de aula.
Um acolhimento em cinco faculdades
O “Dia de Acolhimento” marcou o arranque do ano letivo 2026/2027 na UBI e permitiu integrar institucional, académica e culturalmente 1.068 estudantes do 1.º ano do 1.º ciclo, provenientes das cinco faculdades da UBI.
O programa começou durante a manhã, com as “Sessões de Boas-Vindas”, conduzidas pelos presidentes de faculdade. Seguiu-se o momento “Conhece o Teu Curso!”, durante o qual os diferentes cursos foram apresentados em sala de aula, e a atividade “Conhece a Tua Faculdade!”, que proporcionou uma visita guiada com o apoio dos núcleos de estudantes.





A tarde mudou o cenário e o ritmo. O Jardim das Artes transformou-se no ponto de encontro da comunidade académica com a iniciativa “UBI, a Tua Casa!”, onde os novos estudantes tiveram oportunidade de participar em atividades culturais, recreativas e lúdicas dinamizadas também pelos núcleos de estudantes.
Entre os desafios disponíveis estiveram o touro mecânico, os matraquilhos humanos e a parede de escalada. A música ficou a cargo das seis tunas académicas da UBI, que asseguraram vários momentos de animação ao longo do dia.



A dimensão do envolvimento dos estudantes na organização foi também expressiva: 210 membros dos núcleos participaram no apoio e dinamização das atividades, contribuindo para que os novos colegas tivessem contacto com diferentes áreas da vida académica.
O programa terminou com o “Sunset de Acolhimento”, momento que reuniu estudantes e representantes da UBI, da Associação Académica e da cidade.
“Não estão sozinhos”
Na intervenção dirigida aos novos estudantes, a vice-reitora para o Ensino, Assuntos Académicos e Empregabilidade, Helena Alves, lembrou que o primeiro dia na Universidade pode ser vivido entre a alegria e a ansiedade. É precisamente para responder a esse momento de mudança que existe o Dia de Acolhimento, permitindo aos estudantes conhecer colegas, núcleos e os diferentes grupos da UBI.
A responsável sublinhou ainda que a aprendizagem universitária não acontece apenas nas aulas. “Eu quero que vocês aprendam muito nas aulas, nos laboratórios, mas também quero muito que vocês aprendam fora das aulas”, afirmou, apelando à participação nas atividades culturais, desportivas e associativas. “Não é só estar na Universidade, é fazer parte da Universidade”, resumiu Helena Alves, para quem este primeiro dia pode ser também o momento em que começam amizades que acompanham os estudantes para o resto da vida.

A reitora da UBI, Ana Paula Duarte, centrou a sua intervenção no significado da mudança que os novos estudantes estão a viver, sobretudo para aqueles que deixam pela primeira vez a família, os amigos e a terra onde cresceram. Vindos de diferentes regiões do país e também de outros países, os novos estudantes chegam à Covilhã com “sonhos, expectativas e talvez alguma ansiedade perante todo o desconhecido”. A reitora deixou-lhes, por isso, uma mensagem de proximidade: “não estão sozinhos”. Ana Paula Duarte apresentou a UBI como uma universidade próxima, onde os estudantes não são “apenas mais um número”, e convidou-os a participar na vida académica através das associações, núcleos, atividades culturais e desportivas. “A UBI de certeza que vai deixar uma marca nas vossas vidas”, afirmou, desejando aos novos estudantes um bom ano letivo e, sobretudo, “que sejam felizes” durante os anos que vão passar na instituição e na Covilhã.
Da Universidade para a cidade
Também o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, participou no “Sunset de Acolhimento”, destacando a relação entre a Universidade e a cidade. “A Covilhã é uma cidade da juventude”, afirmou, garantindo aos novos estudantes que encontram na comunidade covilhanense um espaço para construir novas relações. Para o autarca, a cidade deve ser entendida como uma extensão da própria Universidade. “O campus universitário da UBI é toda a nossa cidade”, afirmou, colocando as infraestruturas e associações do município à disposição dos alunos.
O Provedor do Estudante, Afonso Gomes, aproveitou a ocasião para apresentar a função que desempenha enquanto figura autónoma e independente dedicada à promoção dos direitos e interesses legítimos dos estudantes. Explicou que o Provedor trabalha em proximidade com os diferentes órgãos da Universidade e deixou aos novos estudantes a garantia de que podem contar com o seu apoio ao longo do percurso no Ensino Superior.
João Nunes, presidente da Associação Académica da UBI (AAUBI), apresentou, por sua vez, algumas das possibilidades de participação que os estudantes terão ao longo do ano. “A Associação Académica prepara atividades recreativas, culturais, de voluntariado e desportivas”, procurando que os novos estudantes encontrem desde cedo formas de participar na vida da academia, garantiu.
Organizado pela UBI, o “Dia de Acolhimento” contou com o apoio da AAUBI, da Câmara Municipal da Covilhã e da Caixa Geral de Depósitos e pretendeu, assim, cumprir uma missão que se percebe tanto nos números como nas pequenas histórias do primeiro dia.














