Aposta perdida convida 1993 ciclistas a subir à Torre

Pouco mais de um ano depois, o pacto foi pago, e ganhou uma dimensão inesperada. No passado fim-de-semana a Covilhã acolheu no Complexo Desportivo a primeira edição do Festival 1993 – À Conquista da Torre. A motivação para a criação deste evento teve uma assinatura de peso, o conhecido comentador Olivier Bonamici.

Apesar de sentir e arriscar que Remco Evenepoel iria triunfar na edição de 2025 do Tour de France, o ciclista belga acabou por abandonar a prova na 13ª etapa, e teria assim de cumprir o seu acordo: subir à Torre de bicicleta. A partir desse momento, a sua rotina mudou: “Uma aposta de loucos que fiz há um ano. Foi todo um trabalho que fiz sobre o meu corpo, porque adoro comer e de vez em quando beber a minha pinga”, explica.

Mesmo sem nunca ter treinado de verdade, e apenas com três meses de preparação, o comentador garantiu que se sente grato por Evenepoel ter perdido: “Eu adoro o Remco, e para além disso fez com que perdesse 40 quilos, o que é bom para a minha saúde. E se calhar este evento também vai acontecer todos os anos por causa dele”.

Momentos antes da partida, participantes aproveitaram pequenos momentos com o comentador.

Atrás da loucura de Olivier, vieram mais de 2000 pessoas. Desde os mais novos aos mais velhos, o objetivo era chegar ao topo. Foi o caso de Fernando Panhã, que saiu da capital para subir a Serra da Estrela pela primeira vez. “Vim pelo desafio, e porque soube da prova pela Eurosport, através do Olivier” conta o participante de 66 anos. Por outro lado, há quem faça da Serra o seu campo de treino, como faz Francisco Macedo, de 17 anos. A correr atualmente pela Academia de Ciclismo de Roriz, em Barcelos, a jovem promessa do Paul tinha dois objetivos em mente: “Quero sempre ir com o objetivo de fazer uma boa subida, mas também quero desfrutar”.

Quem também participou no desafio foi uma cara conhecida dos trilhos da Serra da Estrela: Francisco Moreira. O ex-ciclista profissional de Manteigas, que continua como atleta e organizador de provas de BTT e Gravel, conta como estes eventos são importantes: “Temos de apoiar mais este tipo de eventos e iniciativas na região. Se uma pessoa que é de cá não apoia, o que será de quem vem de fora?”

Espaço de conversa sobre ciclismo iniciado por Gonçalo Moreira, comentador da Eurosport.

Para além da subida ao ponto mais alto de Portugal Continental, houve espaço para convívio entre os participantes. Desde stands de bicicletas a conversas com diversas referências da modalidade, o ciclismo esteve em festa por três dias. Luís Marques, Vereador do Desporto do Município da Covilhã, conta como foi criar e acolher este evento: “Foi um desafio, nomeadamente por ser a primeira edição, mas é um evento que queremos que fique no calendário anual de atividades. Espero que este evento seja um marco no desporto da Covilhã e do ciclismo”, explicou o Vereador.

Desafios cumpridos, esperanças renovadas, e uma certeza ficou marcada por Olivier e pelo presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, ainda antes do arranque: o evento continuará de pé no ano que vem.

Pode ler também