“Algoritmocracia” e o impacto na vida política e social

Livro explica como mecanismo de recomendação e a IA podem produzir sociedades radicalizadas.

A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade da Beira Interior (FCSH-UBI) recebeu, no dia 15 de dezembro, a apresentação do livro “Algoritmocracia – como a IA está a transformar as nossas democracias”, de Adolfo Mesquita Nunes. A iniciativa foi organizada pela Cátedra Jean Monnet.

O autor defende que a Inteligência Artificial não é apenas uma inovação tecnológica, mas também um dos maiores desafios à sobrevivência das democracias liberais. “O objetivo do livro é despertar a sociedade e a comunidade política para a circunstância dos algoritmos, e a inteligência artificial aplicada aos algoritmos ajuda a explicar muitos dos fenómenos de polarização, de radicalização, de extremismo nas nossas sociedades. E como devemos passar a exigir mais liberdade individual face a eles e, portanto, mais poder face a eles. No fundo, o livro procura explicar que os algoritmos condicionam a nossa visão do mundo, tornam-na mais polarizada, mais indignada, mais ressentida, e isso tem implicações políticas”, afirmou o autor durante a sessão.

Martim Felizol, presidente da Juventude Popular da Covilhã, reforçou esta perspetiva: “Nós vivemos dentro de umas bolhas de filtro, as chamadas filter bubbles, também do algoritmo. E o algoritmo vai‑nos sempre levar a mensagens de ódio, mensagens menos positivas, a mensagens mais controversas. E acho que isso vai sempre favorecer tanto os partidos de extrema-direita como os partidos de extrema-esquerda.”

Entre os participantes, Magda Almeida, estudante do primeiro ano de Ciência Política e Relações Internacionais (CPRI) na UBI, partilhou a sua experiência: “Gostei muito porque deu para ver a democracia e a inteligência artificial de outra forma, que não tinha pensado antes, porque esta acaba por influenciar muito o nosso pensamento crítico e também a democracia atual e as eleições.”

A apresentação do livro abriu espaço para um debate sobre os impactos da Inteligência Artificial na sociedade contemporânea e no funcionamento das democracias, destacando a necessidade de reflexão crítica sobre o papel dos algoritmos na vida política e social.

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