Azuis Transitórios

Levantar o olhar, abrandar e contemplar é o convite feito pelo autor da exposição para abandonar o modo automático da rotina e descobrir o espaço urbano.

A Biblioteca Central da UBI recebe a exposição “Azuis Transitórios”, de Hélder da Nóbrega. Trata-se de uma série fotográfica que desafia o público a levantar o olhar, desacelerar e contemplar o que o rodeia, de forma a abandonarem o mundo digital, mesmo que temporariamente. Está patente até ao final do mês de abril.

O projeto surgiu no âmbito de um estágio de doutoramento na UBI, onde o autor desenvolve investigação na área da paisagem no cinema, sob orientação de Manuela Penafria, docente da FAL-UBI. Foi durante esse período, ao percorrer a cidade da Covilhã, que encontrou o ponto de partida para a exposição. “O céu da Covilhã é diferente do céu do Brasil, que a cada hora do dia parece ter uma tonalidade diferente. É maravilhoso perceber que este lugar não está tão contaminado por poluição”, explica, destacando a beleza das diferentes tonalidades de azul.

Ao longo de quatro meses de observação e captação de imagem, o autor desenvolveu um conjunto de fotografias, vídeo e elementos poéticos centrados em “lanternas urbanas”, candeeiros de iluminação pública que iluminam a Covilhã. Estes elementos, muitas vezes ignorados no dia a dia, ganham um novo significado no seu trabalho.

Na exposição, é feita uma ligação simbólica entre o corpo humano e o espaço urbano em que os candeeiros surgem associados a fios elétricos que o artista compara a “veias e artérias”. Através do “olhar para cima”, o autor procura transformar elementos banais em objetos de contemplação.

Mais do que imagens, “Azuis Transitórios” pretende provocar uma mudança de ritmo. O artista aponta a liberdade como o principal sentimento a transmitir ao público para que vivam tudo aquilo que os rodeia.

Hélder da Nóbrega, convida o público, incentivando-o a visitar a exposição, fazer uma pausa do ritmo quotidiano e observar com mais atenção.

Pode ler também