A segurança e a defesa na Europa estiveram em debate, no passado dia 27 de novembro, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da UBI. “A segurança na Europa – a base tecnológica e industrial da defesa” contou com a presença de Liliana Reis, docente da universidade, e do General Luís Vasco Valença Pinto, presidente da Eurodefense. O seminário aberto a toda a comunidade académica teve o objetivo de contextualizar, conscientizar e analisar a conjuntura da segurança no continente europeu e no mundo.
Entre os temas abordados, estava a situação geopolítica da Europa desde o fim da segunda guerra mundial e o lugar que o continente tem ocupado nas decisões do globo. A guerra da Ucrânia foi lembrada como um ponto fulcral dos problemas contemporâneos que o bloco enfrenta.
Debateu-se ainda o conceito de “soberania perfurada”, utilizado nas Ciências Políticas para descrever quando a soberania de um estado é enfraquecida, limitada ou violada. A docente Liliana Reis destaca que o bloco se encontra em um período de mudança, em que “nós estamos a assistir por parte de alguns estados-membros da União Europeia, como a Hungria, a Eslováquia, como outros, que começam a capturar para si matérias que podem efetivamente fragilizar a União Europeia, nomeadamente ao nível da coesão”.
A União Europeia acaba por ter um papel bastante desafiador, por um lado manter a coesão dos Estados-membros e, por outro lado, manter-se como uma voz importante nas principais decisões que afetam tanto a Europa como o mundo. Para os especialistas, o conflito na Ucrânia com a Rússia demonstra a perda de força da UE, uma vez que o conflito tem os Estados Unidos como medidor para um potencial acordo de paz.
De acordo com Liliana Reis, “em momentos de crise como este, e nomeadamente da apresentação de uma proposta de um plano de paz, a União Europeia está fragilizada porque não tem capacidades militares sequer para ser considerado um ator tão relevante como os Estados Unidos que têm essas mesmas capacidades. Na Europa, nós esquecemos muitas vezes de uma premissa básica do ponto de vista diplomático. É que, quem impõe as condições de paz são aqueles que ganham a guerra ou são aqueles que têm capacidades militares e para as conseguir impor”.
Além da União Europeia, a própria NATO enfrenta desafios diante das políticas do presidente norte-americano Donald Trump. “Aquilo que nós mais necessitávamos era que a nossa indústria, as nossas universidades já tivessem capacidade de produção (…) para que, daqui a uns anos, nós tenhamos na Europa uma base tecnológica industrial de defesa tão sólida que permita responder às nossas necessidades”, conclui a docente.







































