A chegada da primavera foi celebrada de forma criativa e solidária na Coolabora, com uma oficina de confeção de peluches através de upcycling. Realizada no passado sábado, 21 de março, a atividade reuniu participantes de várias idades, convidados a transformar peças de roupa usadas em novos objetos cheios de significado. A proposta foi simples: dar uma segunda vida a materiais esquecidos, criando animais de peluche únicos e personalizados.

“Queremos dar às pessoas as habilidades para criar qualquer animal de peluche que desejem e encorajar a criatividade”, explicou Melanie Marquis. A artista norte-americana que escolheu viver na Covilhã sublinhou o impacto ambiental da prática, afirmando ser “muito importante transformar o antigo em novo. Assim, transformamos materiais e vidas ao mesmo tempo”, completou.
A oficina, gratuita e aberta à comunidade, insere-se no trabalho de intervenção social desenvolvido pela Coolabora há quase duas décadas, nomeadamente no apoio a vítimas de violência doméstica. O ambiente foi marcado pela partilha, aprendizagem e expressão artística, onde cada participante pôde criar o seu próprio “companheiro” de conforto.
Além da vertente artística, a iniciativa destacou-se pelo seu caráter sustentável. Os participantes foram incentivados a reutilizar tecidos com valor emocional, como t-shirts ou meias, reforçando a ligação entre memória, identidade e criação.
Para Aldo Ludovico, que nasceu no em Capanema (região sul do Brasil) mas viveu grande parte da vida em Nova Iorque, o processo vai além do objeto final: “Tomar algo que alguém considera lixo e transformá-lo em algo que pode ser amado é profundamente inspirador.” O artista acrescenta que esta prática representa “a beleza da reciclagem”, ao criar algo novo que vai além da simples reutilização industrial.
A ideia de trazer este tipo de oficina para Portugal surgiu da própria Melanie, que já dinamizava atividades semelhantes nos Estados Unidos. “Faço peluches desde pequena e quero mostrar que não é preciso ser um especialista para criar algo especial. As imperfeições tornam cada peça única”, afirmou.
A responsável da Coolabora, Graça Rojão, destacou a importância de iniciativas como esta para a comunidade local. A responsável referiu que fazem “oficinas deste tipo com alguma regularidade” e que a instituição é “um espaço para a comunidade”, e elogiou ainda a abordagem dos artistas, sublinhando que “sempre que aprendemos a fazer com as nossas mãos ganhamos autonomia”.
A responsável elogiou ainda a abordagem dos artistas, sublinhando que “sempre que nós aprendemos a fazer com as nossas mãos ganhamos autonomia”.
A parceria entre os artistas e a Coolabora reflete um objetivo comum: usar a arte como ferramenta de transformação social. Esse compromisso traduz-se na criação de projetos que dão voz a comunidades frequentemente invisibilizadas. Ao promover a participação ativa e o pensamento crítico, estas iniciativas contribuem para uma sociedade mais inclusiva e consciente.
















