O Museu da Covilhã abriu portas à exposição “Olhares que contam histórias” em comemoração os 125 anos de história de Eduardo Malta, pintor, escritor, ilustrador e cenógrafo que nasceu na Covilhã em 1900 e foi um dos principais nomes da arte portuguesa do século XX.
A exposição está aberta ao público até outubro de 2026. Segundo o curador António Vaz, o espólio é vasto e apresenta Eduardo Malta não apenas aos covilhanenses, mas a todos os interessados pela arte. Trata-se de uma mostra em três fases. A primeira fase, estará relacionada à parte técnica do artista, a segunda fase preocupa-se com a questão evolutiva e a terceira fase traz uma abordagem mais intimista em que as pessoas são convidadas a interpretar as obras do artista através de suas próprias produções.
Conhecido por ser um retratista local, Eduardo Malta mostrou uma variedade de técnicas nas suas obras. Pintou com grafite, tinta da China, pastel, carvão e óleo. Enveredou por uma corrente modernista através do surrealismo, mas manteve-se fiel à pintura académica, considerada um sistema de regras bastante definido, que procura rigor técnico com detalhe, sem falar na composição estética das obras de acordo com princípios de equilíbrio, harmonia e beleza.
António Vaz destaca que Eduardo Malta “tinha essa preocupação, afirmava que a base de todo o trabalho tinha de ser o desenho, enquanto outros autores pegavam no óleo e começavam a trabalhar. Ele não fazia isso. Ele tinha que ver as formas primeiro. O trabalho dele baseava-se no desenho e posteriormente lhe acumulava o pigmento”.
Para o curador, o artista era um pintor único, com histórias fantásticas. “Um cientista da altura, uma vez, perguntou ao Eduardo se podia pintar o seu pai. Ele acedeu e quando chegou a casa do cientista, pronto para começar a pintar, pediu que trouxessem o senhor para poder fazer o retrato. Nesse momento, é informado que o senhor já tinha falecido, mas tinha um irmão que era bastante parecido. As sessões foram começando a pintar com o irmão do falecido a ser o modelo, mas foram relatando a fisionomia e contaram as histórias do pai, o feitio, como se ria, como era perante da vida. Quando terminou o quadro, o cientista chamou as suas irmãs para o verem. Choraram com muita emoção porque Eduardo conseguiu retratar o pai como ele era na realidade”.
A história demonstra o profissionalismo e o rigor que o distinguiam Eduardo Malta de outros artistas da sua época. Eduardo Malta não se preocupava só em fazer retratos, procurava também saber a história das pessoas que iam ser retratadas por achar que era necessário.
Malta acabou por ser o retratista não somente de personalidades portuguesas como Amália Rodrigues, Oliveira Salazar, Francisco Craveiro Lopes, como também de figuras internacionais como George Balanchine (figura 3), Humberto II de Itália e o Príncipe Abdulah. O artista também se preocupou em retratar o povo português de diversas formas.


Em muitos retratos, Eduardo Malta começou a colocar a sua marca, simbolizada pela letra M, ligada ao signo de escorpião. Em 2025, o artista foi homenageado no Festival Wool de arte urbana. Na figura 4, pode-se ver uma rapariga que leva um colar com o símbolo do M em homenagem ao pintor Covilhanense. O principal objetivo da exposição é demonstra a importância que o artista teve para a cidade e região.





















