Entrar na universidade é dos maiores passos que podemos dar na nossa vida. É completamente diferente daquilo a que estamos habituados. E o mais curioso é que, novamente, após alguns anos, voltamos a ser “caloiros” na definição literal da palavra. Saímos do 12.º ano, no qual conhecíamos todas as aulas, salas, professores, colegas e horários, e somos catapultados para um universo totalmente diferente, onde voltamos a ser “pequenos”.
É, sem dúvida, uma mudança que exige grande logística intrafamiliar nas casas de cada um, pois existe todo um processo de delinear novas rotinas nas quais estamos totalmente por nossa conta. Eu falo por mim, pois sendo do Algarve, todos estes processos necessários ao começo do ano letivo, envolveram inúmeras horas de viagem e a estadia na cidade durante algum tempo.
Falando agora do real percurso universitário. Cheguei à Covilhã no domingo à tarde, dia 6 de setembro, e fui receber a chave do meu quarto. Esse foi o primeiro choque. Naquele momento, tive a chave da minha nova casa nas minhas mãos. Cada vez se estava a tornar mais real. Depois está na altura de o colocarmos à nossa maneira, torná-lo ligeiramente mais nosso. No final do dia pensamos que “amanhã” será um dos dias mais importantes da nossa vida. Acho que nessa noite nem conseguimos dormir bem.
O dia do acolhimento chega, e às nove da manhã temos de estar à porta das respetivas faculdades, no meu caso da Faculdade de Engenharia. A partir daí, somos levamos pela universidade pelos alunos mais velhos do nosso curso. Conhecemos as salas, os espaços lúdicos, os laboratórios e todas as infraestruturas necessárias para uma aprendizagem de qualidade pela qual a UBI é tão conhecida.
É nesta altura que é também apresentado o nosso núcleo de estudantes dos respetivos cursos, que no meu caso foi a AEROUBI (Núcleo de Estudantes de Engenharia Aeronáutica da UBI). E tudo é muito facilitado porque estamos sempre acompanhados pelos alunos mais velhos que vão sempre esclarecendo qualquer tipo de dúvidas que possamos ter em todo o tipo de assuntos ou temas relacionados quer com a universidade, o curso ou até mesmo com a cidade em si, em termos de pontos de interesse, sejam eles, a biblioteca, alguns supermercados e espaços de lazer para aproveitar os sunsets.
Depois, almoçamos todos na cantina da faculdade, na qual temos várias opções, ou então também podemos optar por comprar alguma coisa no bar da faculdade que também tem uma grande variedade. De seguida, somos acompanhados até ao Jardim das Artes, onde começa toda uma dinâmica de entretenimento durante toda a tarde, proporcionando um ambiente de integração e convívios a todos os caloiros de todos os cursos da universidade. Para além das várias atividades lúdicas, entre elas, touro mecânico, parede de escalada e matraquilhos humanos, espera-nos um sunset com DJ pela noite dentro de forma a aproveitarmos ao máximo tudo o que este primeiro dia tem para oferecer.
Assim, estabelecem-se de imediato amizades não só entre colegas de turma, como também entre colegas de outros cursos. Não podendo também esquecer que o contacto com todos os núcleos de estudantes em exposição, dá-nos uma noção da imensa variedade de cursos fornecidos pela UBI, e nos quais podemos travar vários contactos de forma a alargar o nosso conhecimento em relação a todo o ambiente envolvente.
No dia seguinte, começamos a cumprir o horário estabelecido para cada turma. Temos as primeiras aulas e conhecemos alguns dos professores que nos irão acompanhar nesta jornada que é o ensino superior. Depois de uma manhã de aulas e de almoçarmos, chega a altura de conhecermos uma das tradições mais conhecidas do mundo universitário: a Praxe. Aqui conhecemos os nossos superiores que nos irão orientar em várias situações durante todo o processo de adaptação a esta nova fase da nossa vida. Importa ainda dizer que, sendo opcional, podemos decidir se participamos na mesma ou não. Aqui, fica ao critério de cada um, pois somos livres de decidir que não estamos interessados ou que não concordamos com alguma situação e simplesmente sair, sabendo que não influenciará em nada no nosso percurso académico ou na disponibilidade dos superiores e restantes alunos para nos ajudarem com qualquer coisa que possamos precisar.
A restante semana resume-se a uma contínua adaptação a tudo, quer a nível universitário e pessoal, pois uma mudança desta dimensão não se assimila da noite para o dia. Quando damos por nós, passou-se a primeira semana de universidade e continuamo-nos a sentir bastante perdidos, mas, segundo os mais velhos, é só uma questão de tempo até tudo passar. Em resumo, vamos começar uma etapa do zero, por isso temos de estar dispostos a aprender, a experimentar coisas novas e acima de tudo, a sair da nossa zona de conforto, pois é aí que acontece o verdadeiro crescimento.
* Miguel Guerreiro é aluno do primeiro ano de Engenharia Aeronáutica da UBI












