Iberperia discute impacto da IA no Jornalismo

O primeiro congresso internacional Ibero-Americano de Investigação em Jornalismo e Inteligência Artificial (IBERPERIA) ocorreu nos dias 24 e 25 de setembro na Universidade da Beira Interior (UBI). Sob o tema “Novos horizontes para o jornalismo face à inteligência artificial”, o evento reuniu investigadores de Espanha, Portugal, Chile e Itália. O encontro debateu desde o impacto da IA no jornalismo e o combate à desinformação até à produção semiautomatizada de notícias e às questões de sustentabilidade ambiental associadas a estas tecnologias.

Segundo Adriana Gonçalves, investigadora no LabCom, a organização do evento que lotou o anfiteatro da UBI partiu do projeto ObIAJoR, em parceria com universidades e investigadores espanhóis integrados na rede IBERPERIA. O principal objetivo passou por reunir as linhas centrais de debate em torno da inteligência artificial no jornalismo, destacando que o congresso se distinguiu pelo interesse das várias mesas promovidas.

 

Ao desenvolver temas fundamentais para a profissão, o congresso coloca a universidade e a academia portuguesa no centro das discussões, promovendo o debate sobre os limites éticos no uso dessas ferramentas. O coordenador científico do LabCom, João Canavilhas, destacou que “nós ainda estamos, neste momento, a estudar aquilo que vão ser os impactos de futuro. Sabemos que os impactos vão ser fortes, de facto. Já estamos a ver alguns impactos, sobretudo na parte do consumo, para já, porque ainda há algum medo, se quiserem, do jornalismo na utilização destas tecnologias, mas os impactos vão ser profundos, e nós vamos começar a vê-los muito, muito em breve.”

​Ao todo, 32 trabalhos foram apresentados — parte presencialmente, no auditório 2.12 da Faculdade de Artes e Letras da UBI, e de também  remota. Entre os pesquisadores estava Tássia Carvalho, com a pesquisa Jornalismo Automatizado com LLM: Geração de Notícias Locais a partir de Atas de Reuniões Municipais. A investigadora comenta sobre o desenvolvimento de uma ferramenta para produção de notícias a partir de atas: “É uma ferramenta de apoio para os jornalistas. É claro que não é uma ferramenta de substituição do jornalista, mas na verdade para apoiar todo o desenvolvimento de uma notícia. Quando ele tem ali, muitas vezes, o dado bruto de uma ata de uma reunião municipal, então a gente faz justamente essa classificação de se um assunto deve ou não ser noticiado para o público. E se esse assunto tiver uma característica que indique dever ser noticiado, então ele passa a ser gerado por um outro modelo que também foi treinado com características de produção de uma notícia.” 

​A plateia contou não só com a presença de investigadores, mas também com estudantes de diversos cursos e anos que aproveitaram a oportunidade para absorver o conhecimento partilhado por especialistas renomados na área. Entre estes estava João Pedro Leal, de 19 anos, aluno do primeiro ano da licenciatura em Ciências da Comunicação: “Eu acho que o que mais gostei foi da primeira apresentação a que cheguei, foi acerca também do ambiente e da inteligência artificial. Acho que a inteligência artificial tem os seus prós e os seus contras e, hoje em dia, tem-se falado sempre muito no ambiente. Em como conservar o ambiente, como arranjar formas e maneiras de nós melhorarmos o planeta, porque está em decadência completamente. Eu acho que a inteligência artificial, lá está, pode ajudar, mas também pode ou não ajudar, como pode prejudicar, porque não é algo que nós controlamos a 100% ainda.” 

 

 

Ao focar-se especificamente no impacto da inteligência artificial no jornalismo, o IBERPERIA consolida-se como um fórum especializado para a produção de conhecimento científico aprofundado na área. A edição pioneira cria as bases para a continuidade do projeto, que passará a ter caráter bienal, alternando a sua realização entre universidades em Portugal e Espanha.

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