A Área Metropolitana de Lisboa lidera o índice global de desenvolvimento com 106,37 pontos, seguida da Área Metropolitana do Porto (102,89), Região de Aveiro (101,71) e Cávado (101,63). No extremo oposto surgem o Alto Tâmega (88,36), o Douro (88,71), a Região Autónoma dos Açores (89,24), a Beira Baixa (92,51) e o Tâmega e Sousa (92,57).
A maior distância continua a observar-se na competitividade económica. Lisboa regista 113,66 pontos, seguida de Aveiro (106,97) e Porto (104,85). Já o Alto Tâmega (77,72), o Douro (79,83), a Beira Baixa (81,34) e o Alto Alentejo (83,40) permanecem entre os territórios menos competitivos do país. Estes valores refletem desafios estruturais como o envelhecimento da população, a menor densidade empresarial e as dificuldades de atração de investimento.
No indicador de coesão, as diferenças são menos acentuadas. Lisboa (106,62), Coimbra (106,51) e Cávado (106,24) ocupam os primeiros lugares. Entre as regiões do interior destacam-se o Alentejo Central (99,72), o Médio Tejo (98,97) e Viseu Dão Lafões (97,89), demonstrando bons níveis de qualidade de vida e acesso a serviços.
O cenário altera-se quando se analisa a qualidade ambiental. A Madeira lidera o ranking nacional com 113,15 pontos, seguida das Beiras e Serra da Estrela (108,99), Terras de Trás-os-Montes (107,49), Açores (106,68) e Alto Alentejo (105,53). A Beira Baixa (104,58) e o Tâmega e Sousa (104,21) também apresentam desempenhos muito positivos, beneficiando da reduzida pressão urbanística e da riqueza dos seus recursos naturais.
Apesar do atraso económico, algumas regiões do interior evidenciam maior equilíbrio entre os três pilares. O Alentejo Central apresenta o melhor resultado global entre os territórios do interior, com 97,20 pontos, seguido pelas Beiras e Serra da Estrela (96,36), Lezíria do Tejo (96,26), Viseu Dão Lafões (95,19), Alto Alentejo (94,59) e Terras de Trás-os-Montes (94,55).
Do diagnóstico à ação: que estratégia para cada região (NUT III)?
Os dados mostram que não existe uma solução única para o interior. Cada região, NUTS III, deverá apostar nos seus ativos específicos para acelerar o desenvolvimento. Assim,
O Alto Tâmega necessita de reforçar a atração de investimento industrial, valorizar a fileira florestal e criar condições para fixar jovens qualificados. A disponibilidade de recursos naturais pode favorecer projetos ligados à economia circular e à energia.
No Douro, a prioridade deve passar por aumentar o valor acrescentado do vinho, do turismo e da agroindústria. A internacionalização das marcas regionais, a modernização logística e a melhoria da ferrovia são fatores decisivos para reforçar a competitividade.
As Terras de Trás-os-Montes podem capitalizar a sua forte classificação ambiental através da agricultura sustentável, bioeconomia, produtos certificados e turismo de natureza.
Na Beira Baixa, as oportunidades encontram-se nas energias renováveis, na gestão florestal, na indústria agroalimentar, na cooperação económica transfronteiriça com Espanha, e nos serviços.
As Beiras e Serra da Estrela, que apresentam dos melhores indicadores ambientais do país, dispõem de condições para afirmar uma estratégia baseada no turismo de montanha, saúde e bem-estar, indústria agroalimentar, desportos de natureza, economia circular e do carbono, além das oportunidades transfronteiriças que se lhe oferecem pela sua longa fronteira luso-espanhola.
Viseu Dão Lafões deverá reforçar a internacionalização das PME, consolidar os seus polos industriais e estreitar a cooperação com universidades e centros tecnológicos.
O Médio Tejo beneficia da proximidade aos grandes centros urbanos e poderá afirmar-se como destino para investimento industrial e tecnológico descentralizado, aproveitando melhores acessibilidades e custos de contexto mais competitivos.
O Alentejo Central, uma das regiões interiores mais bem posicionadas, poderá consolidar-se como plataforma logística e tecnológica, beneficiando do corredor ferroviário internacional e da proximidade às dinâmicas induzidas pelo porto de Sines.
No Alto Alentejo, a abundância de espaço disponível e os bons indicadores ambientais criam condições para investimentos em energias renováveis, armazenamento energético e agricultura de precisão.
O Baixo Alentejo deverá aprofundar a valorização económica do Empreendimento de Alqueva, promovendo maior transformação industrial da produção agrícola e incorporando tecnologia nas explorações.
Por sua vez, a Lezíria do Tejo poderá reforçar a sua competitividade através da modernização agroindustrial, da logística alimentar e da atração de empresas ligadas à inovação agrícola e digital.
Cinco desafios comuns ao interior
Apesar das diferenças entre territórios, existem prioridades transversais que se repetem em praticamente todas as regiões do interior:
- Melhorar as ligações ferroviárias e rodoviárias;
- Reforçar a cobertura digital e a conectividade de alta velocidade;
- Atrair e fixar jovens qualificados;
- Aproximar empresas, universidades e politécnicos;
- Transformar os ativos ambientais em fontes de riqueza e emprego.
Os resultados do índice revelam um país que continua a crescer a ritmos diferentes. Enquanto o litoral domina os indicadores económicos, o interior acumula vantagens ambientais cada vez mais valorizadas num contexto de transição climática. O desafio da próxima década será transformar esses recursos em investimento, inovação e emprego qualificado, permitindo uma convergência efetiva entre os diferentes territórios do país.




