Num tempo em que a liberdade é muitas vezes tomada como garantida, o Teatro das Beiras encheu-se, dia 28, para o “Fala-me de Abril”, um espetáculo que desafiou o público a refletir sobre o seu verdadeiro valor.
“Fala-me de Abril” é uma iniciativa organizada pelo Saud’Arte, departamento cultural do núcleo de estudantes de medicina (MedUBI), que celebra e relembra os valores da Revolução dos Cravos. Naquela que foi a sua quarta edição, o evento contou com a participação de 16 estudantes e voltou a apostar num formato multidisciplinar para dar vida a essa memória.
Ao longo da noite, o espetáculo cruzou música, dança e interpretação, procurando não só revisitar o passado, mas também lançar um olhar crítico sobre o presente, reforçando a importância de manter vivo os ideais da democracia e da justiça.
Aproximar as gerações mais jovens de um acontecimento que não viveram diretamente é o objetivo do projeto, como nos conta o coordenador, Pedro Monteiro. “Decidimos que seria uma boa ideia relembrar a nossa geração o porquê de a revolução ter acontecido e como é que se vivia antes”.
“E continuamos o projeto porque a liberdade não é algo estático, é algo que nos pode ser dado, mas também pode ser retirado. É importante reclamá-la todos os anos”, destacou o organizador.
Pedro Monteiro sublinhou ainda a forte carga emocional do espetáculo. “Sentimos na pele os textos e as músicas. Às vezes, até nos ensaios, ficamos arrepiados com as interpretações uns dos outros”.
Entre os participantes esteve Mariana Pinheiro, que dançou, cantou e declarou textos em palco. A aluna de medicina destacou a relevância da mensagem transmitida. “Representar este espetáculo é lembrar ideias do passado que trouxeram coisas muito bonitas, mas também alertar que não podemos deixar de lutar por elas”. A estudante evidenciou também a importância de envolver os mais jovens: “Muitas vezes não têm noção do que foi o 25 de abril. Estes eventos ajudam a aprender e a refletir”.
Já Carolina Vaz, finalista do mesmo curso e a viver a última participação no evento, descreveu o momento como especialmente simbólico, “É um orgulho. Fechar este ciclo com um espetáculo sobre o 25 de abril tem um significado muito especial. A liberdade é como uma planta, precisa de ser cuidada todos os dias”. A participante deixou ainda um apelo aos mais jovens.
“Informem-se, falem com as vossas famílias e votem. É assim que mantemos viva a liberdade”, afirmou Carolina Vaz.
O espetáculo destacou-se não só pela qualidade artística, mas também pela sua estrutura cuidada, em que diferentes formas de expressão se cruzaram para contar uma história comum a todos os portugueses. Segundo Pedro Monteiro, o equilíbrio entre a música, dança e texto foi um dos maiores desafios, mas essencial para a construção narrativa.
No final, ficou uma mensagem clara e transversal a todos os intervenientes: a liberdade não é garantida e exige participação ativa, especialmente das novas gerações. O “Fala-me de Abril” afirmou-se, mais uma vez, como um espaço de memória, consciência e cidadania.


















