“Wool é Cool” reúne histórias e saberes

O Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior desenvolveu este sábado, dia 24, a primeira de cinco oficinas de arte têxtil “Wool é cool”, que teve lugar na Real Fábrica Veiga. Cerca de 60 pessoas aprenderam e ensinaram técnicas de tricô e crochê, num momento de convívio entre gerações.

 

Rita Salvado, diretora do Museu de Lanifícios, esclarece que estas oficinas são o seguimento de projetos realizados em conjunto com a Coolabora. “O ano passado tivemos o projeto “MALA” coordenado pela Coolabora, em que mensalmente desenvolvíamos oficinas para promover autonomia, com este propósito de convívio e partilhar conhecimento. Foram muito concorridas e acabámos por dar continuidade.”

Para Marta Correia, o tricô serviu como escape e relaxamento, encontrou pessoas que partilhavam a mesma paixão e foi assim que surgiu o Clube de Tricô e Companhia do Fundão, que posteriormente celebrou uma parceria com o Museu de Lanifícios. “Deparei-me com pessoas com o mesmo problema que eu e que também gostavam de tricô e outras artes. Começámos a juntar-nos num café lá do meu bairro e isso ajudava a que o resto da semana fosse boa.”

Na Real Fábrica Veiga, os 60 participantes formaram grupos para que pessoas com mais experiência pudessem ajudar iniciantes, criando um ambiente de entreajuda. Jorge Pedro Luciano é seguidor assíduo das atividades do Museu de Lanifícios e partilhou que o número elevado de participantes podia ser problemático mas com o decorrer da atividade acabou por ser vantajoso. “Achei que podia ser um bocadinho confuso mas depois naturalmente foram-se criando grupos. Para aperfeiçoar a técnica e para evoluir tem de ser um grupo mais pequeno e é preciso haver uma atenção mais individualizada”, explica.

O propósito desta oficina passou por introduzir as técnicas de crochê juntamente com a partilha de saberes entre as diferentes gerações, géneros e nacionalidades. “Gostei da diversidade, várias nacionalidades, bastantes homens a aderir, que é um público que não vem a este tipo de atividades, também serve para mudarmos este estigma e promovermos esta união”, realçou Andreia Félix, técnica têxtil do Museu e coorganizadora de “Wool é Cool”.

“Existe uma aprendizagem melhor, porque as pessoas com mais idade conhecem muito bem as técnicas e têm histórias para contar das peças que faziam e como aprenderam com as mães e com as avós, e ao mesmo tempo é uma boa ferramenta para a saúde mental”, acrescenta Andreia Félix.

“Gosto muito de trabalhos manuais, puxa a nossa criatividade, descontraímos e criamos coisas fantásticas. Comecei muito cedo a fazer crochê e malha. Adoro partilhar o que sei e aprender, é muito gratificante. Estou a gostar de ensinar”, contou uma das participantes, Ana Paula Santos.

Devido ao sucesso desta oficina piloto, houve a promessa por parte de alguns participantes de participarem nas próximas oficinas repetindo a experiência e também por parte da organização, que discutiu a possibilidade de fazer este tipo de convívios com mais regularidade. “Nós definimos esta periodicidade mensal porque também queremos divulgar outras técnicas, mas hoje já se falou de criar aqui uma rotina com mais regularidade e o museu acolherá sempre esta dinâmica”, explicou a diretora do Museu de Lanifícios.  

A próxima oficina vai-se realizar no dia 23 de março, na Real Fábrica Veiga.

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