“Agora temos as portas do mundo a abrirem-se”

Criaram na Covilhã a startup de Inteligência Artificial recentemente adquirida pela multinacional Motorola Solutions. Diplomados em Engenharia Informática pela UBI — onde concluíram Licenciatura, Mestrado e Doutoramento —, Vasco Lopes e Bruno Degardin fundaram a DeepNeuronic na UBIMedical, transformando o trabalho desenvolvido na academia numa tecnologia de análise de vídeo que chega agora a mais de 100 países.

Urbi et Orbi: Porquê Engenharia Informática e porquê na UBI?
Vasco Lopes:
Primeiro entrei em Sociologia e depois é que percebi que não gostava muito daquilo que tinha escolhido e sempre tive um gosto especial por videojogos, principalmente jogos de estratégia. Tinha muita apetência para tudo o que era direcionado a computadores, então achei que a Engenharia Informática era uma boa opção. Entrei na segunda fase e fazia todo o sentido, era uma coisa muito mais de lógica, muito mais matemática, que era aquilo que eu tinha mais gosto de fazer. Na UBI, porque sou da Covilhã, estava perto da família e fazia todo o sentido também ficar aqui.

Bruno Degardin: Inicialmente pensei em Arquitetura, mas o mundo já se estava a tornar tão digital e tinha mais aptidão para os computadores, para além de ser bastante bom a Matemática, e segui para Engenharia Informática. A UBI, porque a nível familiar era mais fácil e teria menos custos que se tivesse optado, por exemplo, por Lisboa ou Porto.

U@O: O que recordam dos tempos da UBI?
BD:
As pessoas que são de cá, vêm para cá naturalmente e as pessoas que são de fora nem sempre chegam em primeira opção. Lembro-me de imensos colegas meus que ficavam desiludidos por terem entrado em primeira fase na UBI e recandidatavam-se logo em segunda fase para outra universidade. Mas o tempo que passavam entre a primeira e a segunda fases era tão bom, que recandidatavam-se na terceira fase para a UBI. Porquê? Porque o espírito de comunidade da UBI sempre foi excelente, a nível de integração – por mais desafios que possam aparecer -, é bastante bom. Há sempre coisas a melhorar, como em qualquer universidade, mas aquilo que mais me recordo é o espírito de companheirismo. O Vasco, inclusive, é o meu padrinho na universidade. Então, esta parte mais ligada às praxes e à parte da comunidade dos novos alunos, é bastante boa, e isso reflete-se, depois, no percurso do aluno.

VL:
Complementando aquilo que o Bruno disse, a questão da camaradagem, o companheirismo, a proximidade entre todas as pessoas do mesmo curso e de outros cursos. Mas também o corpo docente, em que há a vantagem de ser uma universidade mais pequena, há uma maior proximidade a tudo o que é institucional, à cidade em si. O facto de a UBI estar distribuída pela cidade também faz com que se acabe por conhecer todos os cantos e recantos e acho que isso é uma coisa incrível, que não é fácil de replicar.

U@O: Como têm acompanhado a evolução da instituição desde os tempos de estudante de Licenciatura até aos dias de hoje?
VL: Uma coisa engraçada é que nós fizemos licenciatura, mestrado e doutoramento, tivemos por dentro da universidade em todos esses processos, também saíamos para trabalhar em empresas e acompanhámos tanto de dentro como de fora, passando de estudantes para docentes convidados e, mais tarde, de carreira. Agora é que nos estamos a afastar um pouco mais, por causa da aquisição da DeepNeuronic, tivemos que nos focar exclusivamente na empresa. Mas, sem dúvida, que houve um grande crescimento em quantidade de pessoas, o número de alunos quase que duplicou em relação ao momento em que entrámos, a qualidade da instituição tem melhorado a olhos vistos, a qualidade do ensino, as ferramentas disponibilizadas. Por outro lado, tudo o que a instituição representa, acho que a cultura da universidade está muito mais vincada e é mais conhecida a nível nacional e internacional, a quantidade de alunos internacionais que promovem também uma diferenciação e uma distribuição cultural que tem aumentado imenso. Portanto, é quase tudo positivo, aos meus olhos, quer o crescimento da instituição a nível pessoal, a nível profissional e a nível cultural.

BD: Apenas acrescentaria ao que o Vasco disse que, como nós tivemos esse percurso, quase de dentro para fora, acompanhámos nas partes até onde temos transferência de tecnologia, de talento e temos esse peso também na universidade.

U@O: Como tem sido o vosso percurso profissional desde a licenciatura até hoje?
BD:
Tanto o Vasco como eu trabalhávamos enquanto estudávamos e sempre considerámos que é bom estar do lado da investigação e a da academia, mas também tivemos a necessidade de ver como é o mundo e ter contacto direto com os clientes. No meu mestrado eu também trabalhei para outra empresa e depois, tanto no mestrado como no doutoramento, tivemos tanto com instituições de investigação, como com o UBI, e depois criámos a DeepNeuronic e juntámos o útil ao agradável, porque a DeepNeuronic sempre teve uma posição bastante próxima da UBI, isso também foi uma vantagem.

VL: Como o Bruno disse, tivemos a possibilidade de estar a estudar e a trabalhar ao mesmo tempo. Antes de começarmos o mestrado já estávamos a trabalhar, passei por projetos de investigação financiados, dentro e fora da UBI, trabalhei com empresas como a Stellantis, depois, mais no fim do mestrado, início do doutoramento, também trabalhei em empresas privadas como a Huawei e a Google, a nível internacional, passei algum tempo em Zurique. Isso permitiu-nos depois criar a DeepNeuronic e ter uma visão um bocadinho mais abrangente, não só da parte de investigação, porque temos feito muita investigação no nosso doutoramento, mas também em projetos financiados dentro da UBI, mas também porque percebemos o que é que as empresas privadas passavam, as dificuldades, e combinámos aqui um bocadinho dos dois em criar a DeepNeuronic e os últimos quase seis anos têm sido a DeepNeuronic.

U@O: Como nasceu a DeepNeuronic e em que momento perceberam que a ideia se podia transformar numa empresa?
VL:
Nós, na altura do Covid, tínhamos alguns conhecidos que tinham restaurantes, infraestruturas que tinham regulamentação muito apertada, pela questão do distanciamento social e do uso de máscaras, e tinham muita dificuldade em verificar se as pessoas realmente estavam a cumprir e tinham receio de serem multados, de terem que fechar. E nós, trabalhando em visão computacional, pensámos: “existem câmaras de videovigilância em todo o lado, será que podemos pegar nisso e automatizar a deteção de temperatura corporal, do uso de máscaras e do distanciamento social, a partir das câmaras, sem os humanos terem alguma influência?” Começámos a trabalhar nisso nos nossos tempos livres, fizemos alguns testes com empresas de colegas.

Depois, à medida que o Covid foi melhorando e a pandemia foi suavizante, percebemos que realmente há câmaras de videovigilância em todo o lado, há imensos humanos a olhar para essas câmaras de videovigilância a toda hora, se formos a qualquer hipermercado normalmente à porta há sempre um segurança a olhar para as câmaras, e o que acontece é que eles, na realidade, não conseguem detetar grande coisa, porque é muita informação que está a acontecer, são quadradinhos muito pequenos no monitor que eles têm que estar a ver, e nós pensámos: “temos o conhecimento, será que podemos automatizar todo este trabalho?” E começámos a partir daí, e foi assim que a DeepNeuronic cresceu, com o foco de como é que nós podemos reutilizar o que já existe, automatizar e suavizar o trabalho destas pessoas. Na realidade, nós não estamos a tirar o trabalho destas pessoas, estamos a aumentar aquilo que elas têm que fazer, só que em vez de estar a olhar para os monitores, estão a olhar para dados, e para tomadas de decisão: é “o que é que eu faço perante um contramão de uma auto-estrada, o que é que eu faço perante um furto?” E foi a partir daí que a DeepNeuronic nasceu e começou a crescer.

BD: Apenas complementar que se comprova que conseguimos pegar num sistema já utilizado, super antigo, e conseguimos dar nova vida a esses sistemas, novo propósito, e até mesmo ir para além da segurança, e conseguimos ajudar os próprios negócios também a crescerem através da nossa tecnologia.

U@O: E que importância teve a vitória na Health Cup, em 2020, para aquilo que viria a ser a DeepNeuronic?
BD: O Health Cup era um programa promovido pela UBIMedical, e a UBIMedical é uma instituição que nós recomendamos sempre a todos os jovens empreendedores, para aquelas pessoas que têm uma ideia, possivelmente têm a tecnologia, mas depois não sabem o que fazer com ela, ou com quem falar para conseguir chegar a certos clientes, para conseguir chegar a certos parceiros, ou até mesmo a certos investimentos, e a UBIMedical, com esse papel de conseguir trazer o empreendedorismo para dentro da UBI, é um excelente exemplo.

VL: Acho que adicionava só que há certos momentos na vida que podem parecer pequenos, mas que podem moldar as decisões futuras. Quando olhamos para trás conseguimos analisar isso. Coisas como a Health Cup foram os primórdios de nos incentivar a continuar com aquelas ideias que nós tínhamos e que andávamos a fazer e pensar que se calhar isto até podia ter algum sucesso, porque há pessoas externas a dizer-nos que isto era interessante, e isso dá-nos alguma motivação extra para seguir esses percursos.

U@O: Qual foi o momento mais decisivo para a DeepNeuronic desde a sua criação até à aquisição pela Motorola Solutions?
VL:
Houve muitos momentos, acho eu. Desde o momento em que decidimos incorporar a empresa, o momento em que contratámos as duas primeiras pessoas e confiaram em nós, o momento em que o Sérgio, que foi o nosso primeiro investidor, acreditou em nós e investiu dinheiro, o investimento da Buenavista, os PT’s 2020 e 2030 que conseguimos para projetos financiados, depois os primeiros clientes, quando conseguimos converter a Ascendi para um contrato de licenciamento a longo termo. Houve muitos pequenos momentos, que depois, cumulativamente, acho que tornaram a empresa naquilo que é.

BD: Acho que todos esses pequenos fatores acabam por influenciar. Só o facto de termos a validação de alguém, conseguirmos outro prémio que consiga alavancar o dinheiro que nós já temos, acho que depois tornou-se um percurso bastante natural, mas também difícil, mas que conseguimos ter as pessoas certas para conseguir avançar e vingar neste mercado.

U@O: Terem mantido a empresa na UBIMedical e na Covilhã foi uma decisão consciente? O que é que a cidade e a UBI oferecem a uma empresa tecnológica como a DeepNeuronic?
VL:
Nós fazemo-nos essa pergunta várias vezes e para nós foi totalmente consciente a empresa ficar na Covilhã, sempre foi um dos nossos objetivos criar um mecanismo de retenção de talento na Covilhã, que sabemos que não é ainda, especialmente nas áreas de tecnologia, as pessoas acabam por ir mais para o litoral, e fomos muito cientes da decisão que estávamos a tomar. A UBIMedical tem imensas ferramentas e tem uma comunidade muito interessante de entreajuda, mas não é uma situação fácil para uma empresa tecnológica, e para nenhuma empresa na realidade. A dificuldade de deslocação, a dificuldade de chegar a clientes que normalmente estão no litoral, o ir ao estrangeiro, temos sempre que fazer uma viagem até o aeroporto, que são duas horas e meia para cada lado. Em relação a custos, eles são mais ou menos similares a estar no litoral, nas áreas tecnológicas não são muito diferentes. Então, em termos de desafios, há muitos desafios em ter uma empresa cá, mas acho que depois temos a parte boa, que é realmente há pessoas excelentes que querem manter-se na Covilhã, e há menos oportunidades para essas pessoas, então conseguimos retê-las na DeepNeuronic, o que é um benefício incrível. Acho que isso foi das melhores vantagens que tivemos em ficar na Covilhã.

BD: Há coisas boas e coisas más, mas o Vasco e eu sempre tivemos a missão de, como nós também costumamos dizer, queremos fazer a Portugal o que a Sony fez ao Japão, porque a Sony fez conhecer o Japão pela qualidade dos próprios produtos. Então foi 100% consciente que estarmos no centro do país poderia ser uma desvantagem em relação a outras empresas que estejam no litoral, mas também o próprio mercado português também é bastante difícil. Aliás, idealmente, recomendamos sempre que uma empresa que seja jovem e que tenha a inspiração para chegar mesmo longe, o mercado em que tem de começar não é o português. Os portugueses podem testar, mas depois é lá fora que desenvolvem, e aqui em Portugal acabam por consolidar aquilo que conseguiram avançar lá fora. Porque aqui Portugal é um país pequenino, tem pouca escala, e estarmos aqui na região também não é algo que ajuda, mas conseguirmos criar esse mecanismo que o Vasco estava a descrever para nós foi bastante importante para conseguirmos trazer bastante valor aqui à região.

U@O: Nesse sentido, o que significa, para uma empresa criada na Covilhã, passar a integrar uma multinacional presente em mais de 100 países?
BD:
É um desafio gigantesco, é algo que, pelo menos nesta região, nunca tinha acontecido. Mas, como eu também gosto de dizer, a nossa equipa é excelente, e quando os problemas se tornam mais difíceis, a equipa torna-se ainda melhor. Toda a cultura, todas as metodologias agora são a uma escala completamente diferente, com todas as geografias e equipas diferentes que temos de trabalhar, mas é algo bastante reconfortante para nós, porque vamos conseguir comprovar e vamos conseguir levar a nossa tecnologia para os quatro cantos do mundo, e é um marco super importante para o empreendedorismo português.

VL: Acho que adicionava aqui a questão de uma startup conseguir vingar não é comum, porque há muitos desafios a uma startup. Nós tivemos muita sorte ao longo do nosso percurso, mas conseguimos também criar aqui agora, na Covilhã, trazer uma sucursal, um pequeno escritório de uma multinacional que está numa Fortune 500, que é incrível para a cidade, e vai criar outras oportunidades de recrutamento, de retenção de talento, que sempre foi um dos nossos principais objetivos.


U@O: A tecnologia da DeepNeuronic passa agora a integrar a plataforma Avigilon, da Motorola Solutions. O que é que esta integração permite fazer que antes não era possível à mesma escala?
VL:
Uma das maiores dificuldades de ser uma startup é que as empresas grandes, principalmente na Europa, tratam-nos como tal, e têm muita dificuldade em acreditar que uma solução de uma startup possa ser melhor do que aquelas que existem no mercado de grandes empresas. E entrar numa rede como a Motorola, e dentro da Avigilon especificamente, significa que temos uma marca e um nome que permite dar confiança aos nossos clientes, permite-nos escalar mundialmente, e permite-nos ir a todos os clientes que já acreditam naquilo que a Motorola fornece, e fornecer-lhes mais inteligência, mais soluções e mais dados sobre as suas operações. Então é uma oportunidade clara comercial, mas também é uma oportunidade de expansão da empresa, por todos os motivos que significam estar numa multinacional.

BD: É disruptar o status quo da videovigilância. A videovigilância normalmente é algo que as pessoas olham e é bastante secante, é algo que normalmente está na cave, apenas com as equipas de IT e de segurança, mas é uma fonte de informação que está ali a não ser usada, e que neste momento, integrando com a plataforma a Avigilon, podemos chegar às múltiplas equipas dentro dos próprios negócios, com base em toda a informação que é captada pelos próprios eventos. E DeepNeuronic já o fazia antes, a uma escala mais pequena e agora temos as portas do mundo a abrirem-se.

U@O: Depois de terem criado uma empresa que chegou a uma multinacional desta dimensão, quais são agora os próximos desafios?
BD:
Os próximos desafios irão passar pela conjugação das diferentes tecnologias, e irá ser um ponto bastante importante, que é conseguir manter a flexibilidade que nós tínhamos antes, porque a vantagem das startups é serem muito mais rápidas do que os gigantes das tecnologias, e quando uma equipa tão pequena e ágil entra para dentro de uma multinacional, é natural perder essa flexibilidade. Então, os maiores desafios é, primeiro, não perder essa flexibilidade, conseguirmos ser rápidos também para atacar os mercados, enquanto mantemos todos os valores que a DeepNeuronic também sempre defendeu.

VL: Eu acho que os maiores desafios continuam a ser os mesmos, que é: como é que continuamos a corresponder às expectativas de todos os colaboradores, como é que continuamos a corresponder às expectativas que os clientes e os mercados têm de nós, à medida que vamos crescendo e que conseguimos, como o Bruno disse, causar a disrupção no mercado que precisa, e precisa de cada vez mais soluções que permitam acelerar o que é a análise de dados e a análise de videovigilância.

U@O: Que conselhos dariam a um aluno de Engenharia Informática da UBI para vingar nesta área?
VL:
Há duas frases que já me disseram várias vezes, e que não significam de todo aquilo que eu sou, mas que eu acho que são uma boa coisa para se pensar e refletir: não existe work-life balance quando se quer ter ambição, ou se vai a 100% ao longo do que é a nossa ambição, ou temos que simplesmente aceitar que vai haver muito mais dificuldades a conseguir atingir aquilo que queremos do que esperamos; e que quando queremos ser excecionais e fazer coisas excecionais, é normal ser-se diferente, porque ser excecional significa ser diferente daquilo que é a norma. Então, muitas vezes abdicar de eventos sociais, abdicar de amizades, atividades culturais, atividades familiares é normal quando se quer ir um bocado mais à frente, e em qualquer área da nossa vida. São duas frases que por sempre ouvi e que acho que são boas de refletir para quando queremos fazer algo mais. Não desistir, continuar sempre a trabalhar e procurar fazer mais do que nos é exigido. Eu acho que é isso.

BD: Eu faço das palavras do Vasco as minhas e apenas acrescento que o aluno de Engenharia Informática – ou de qualquer curso que a UBI tenha, ou qualquer universidade aqui do país – seleciona um problema, porque há muitos problemas no mundo a ser resolvidos, mas escolham apenas um problema, e tentem, com todas as forças possíveis e imagináveis. É esse work-life balance que o Vasco estava a referir. Mas, especializando-se nesse problema, e apenas nesse problema, mantendo o foco – porque facilmente podemos ter divergências de focos, quando é preciso pagarem-se salários ao final do mês e todas as fontes de rendimento parecem atrativas -, mas focando-se apenas num problema, ser o melhor a resolver aquele problema, não só nacionalmente, mas também internacionalmente, é algo super importante, para manter o próprio foco.

Nome: Vasco Lopes
Naturalidade: Covilhã
Curso: Engenharia Informática
Ano de entrada na UBI: 2014
Filme preferido: “O lobo de Wall Street”
Livro preferido: “Steve Jobs”, de Walter Isaacson

 

 

 

Nome: Bruno Degardin
Naturalidade: Lille (França)
Curso: Engenharia Informática
Ano de entrada na UBI: 2015
Filme preferido: “Os 12 indomáveis”
Livro preferido: “De zero a um”, de Peter Thiel

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