A Covilhã assinalou, a 20 de outubro, os 840 anos da concessão do foral, atribuído por D. Sancho I em 1186, e os 156 anos da elevação a cidade, ocorrida em 1870. Na sessão comemorativa do Dia da Cidade, o presidente da Câmara Municipal, Hélio Fazendeiro, destacou a capacidade de transformação do concelho e a importância de articular património, conhecimento e inovação para responder aos desafios do futuro.

“A nossa Universidade da Beira Interior é uma das expressões mais fortes dessa capacidade de dar nova vida ao património industrial e transformar memória em conhecimento e futuro”, afirmou Hélio Fazendeiro, referindo-se à reconversão de antigos espaços industriais em laboratórios, salas de aula e estruturas de investigação.

“A relação entre a indústria e o conhecimento constitui uma das marcas distintivas da cidade.
Durante séculos, a Covilhã afirmou-se como um dos principais centros nacionais dos
lanifícios, atividade que moldou a economia, a paisagem urbana e a identidade das suas
comunidades. A evolução para uma economia em que o ensino superior, a ciência e a
inovação assumem crescente importância representa uma nova etapa desse percurso.”
Universidade e desenvolvimento regional
A intervenção do presidente da Câmara colocou em evidência desafios que também dizem respeito à comunidade académica: a criação de emprego qualificado, a atração de investimento, a fixação de jovens e a capacidade de transformar conhecimento em desenvolvimento económico e social.
Entre as prioridades apresentadas pelo município estão a expansão da Zona Industrial do Tortosendo, a criação de condições para acolher novas empresas tecnológicas e o desenvolvimento de uma futura área de acolhimento empresarial de dimensão regional, articulada com uma Zona Livre Tecnológica.
O autarca defendeu ainda a concretização de projetos estruturantes, como o IC6, para melhorar as ligações da Covilhã a Coimbra e ao litoral, e a Barragem das Cortes, considerada importante para reforçar a segurança do abastecimento de água.
No balanço do primeiro ano de mandato, Hélio Fazendeiro referiu que o município preparou e submeteu candidaturas que representam mais de 17 milhões de euros de investimento potencial em áreas como educação, mobilidade, inclusão social, regeneração urbana, ambiente e proteção do território. O discurso distinguiu expressamente os investimentos potenciais dos financiamentos efetivamente aprovados.
A habitação, a requalificação da rede viária, a melhoria dos equipamentos públicos e o reforço dos serviços de proximidade foram igualmente identificados como áreas prioritárias. Para o executivo municipal, a criação de melhores condições de vida é fundamental para atrair e fixar população e garantir novas oportunidades às famílias e aos jovens.
A dimensão regional esteve também presente na candidatura da Covilhã a Capital Portuguesa da Cultura 2028, apresentada como uma oportunidade para valorizar o património, a criação artística e o conhecimento, envolvendo a Beira Interior numa ambição comum.
Património histórico e reconhecimento da comunidade
As comemorações incluíram a abertura, no Museu da Covilhã, da exposição documental «Origens e Privilégios: O Foral de 1186 e Outras Memórias Reais», realizada em colaboração com a Torre do Tombo. A iniciativa reúne documentos relevantes para a compreensão da história local e procura aproximar a população do património documental do concelho.
A sessão solene ficou igualmente marcada pela atribuição de distinções municipais a 12 personalidades, instituições e empresas. Entre os homenageados esteve a empresa têxtil A Penteadora, sedeada em Unhais da Serra, bem como figuras ligadas à educação, à saúde, à indústria e à vida cívica do concelho. Foram também distinguidos bombeiros envolvidos no acidente ocorrido durante os incêndios de agosto de 2025, com uma homenagem póstuma a Daniel Agrelo, e ao professor Sérgio Saraiva, igualmente a título póstumo.
A programação terminou com uma homenagem ao ator Ruy de Carvalho, que recebeu a Chave da Cidade no Teatro Municipal da Covilhã, após a apresentação do espetáculo Ruy, A História Devida, com Luís Pacheco. A distinção reconheceu a ligação histórica do ator à cidade, onde iniciou o seu percurso nos palcos.
Uma cidade com história e desafios por cumprir
Ao longo do discurso, o presidente da Câmara defendeu que o desenvolvimento da Covilhã exige a cooperação entre o município, as instituições, as empresas, a Universidade e a população. A necessidade de reforçar as acessibilidades, ampliar a oferta habitacional, atrair investimento e assegurar serviços públicos de qualidade foi apresentada como parte de um esforço que ultrapassa o âmbito municipal.
Para a Universidade da Beira Interior, esta reflexão evidencia a importância da relação entre a academia e o território. A formação de profissionais qualificados, a produção científica e a colaboração com empresas e instituições podem contribuir para responder a problemas concretos da região e criar condições para que mais jovens escolham o Interior para estudar, trabalhar e construir o seu futuro.
A mensagem final das comemorações sintetizou esta ligação entre passado e futuro. «Recebemos uma cidade com história. Juntos, temos o dever de lhe acrescentar futuro», afirmou Hélio Fazendeiro.

No ano em que assinala mais de oito séculos de história, a Covilhã procura, assim, afirmar uma identidade que combina a herança industrial com o conhecimento, a cultura e a inovação, num percurso em que a Universidade assume um lugar central na reflexão sobre o desenvolvimento da Beira Interior.























