19º Festival da Cherovia estreia encontro de escritores

Encontro de Escritores Covilhanenses estreou-se este ano com "grande adesão". Organização já projeta parcerias e maior aposta na investigação para o 20º aniversário. 

A 19ª edição do Festival da Cherovia, que decorreu entre 17 e 20 de setembro no Centro Histórico da Covilhã, fechou com uma novidade que a organização considera ter sido um dos momentos altos do ano: a estreia do 1.º Encontro de Escritores Covilhanenses. Nuno Abreu, organizador do festival da Cherovia deste ano e presidente da Banda da Covilhã — uma das três entidades que organizam o festival, ao lado da Associação Cultural Desertuna e da Covilhã Eventos — explica que a iniciativa nasceu da vontade de alargar o festival para além da gastronomia. 

“Embora seja um festival gastronómico, isto é um festival de todos e para todos”, afirma. “Associamos a cultura com a parte social, e por isso, no âmbito da cultura, achámos que seria importante envolvermos também os escritores locais.” A escolha não foi arbitrária: segundo Abreu, vários autores covilhanenses já tinham obras dedicadas à cherovia, “a rainha deste festival” e garante que o resultado “superou expectativas”. “Tivemos uma grande adesão nesta inovação, sendo este o primeiro ano. Os escritores foram criando ali momentos para poderem declamar alguns poemas para várias faixas etárias da nossa população.” 

O encontro literário juntou-se assim à já habitual componente musical do festival, reforçando um equilíbrio entre tradição e novidade que tem marcado as últimas edições — e que a vereadora da Cultura da Câmara Municipal, Regina Gouveia, definiu como “um caminho estratégico” essencial para manter o evento vivo e atrativo. 

Edição marcada por metas e inclusão 

Esta 19ª edição juntou-se ao objetivo de superar os 50 mil visitantes e as cinco toneladas de cherovia consumida na edição anterior. O programa manteve a divisão por públicos ao longo dos quatro dias — quinta-feira dedicada à comunidade académica, sexta-feira às tradições, sábado à comunidade e à festa, com o sexto capítulo da Confraria Gastronómica da Cherovia e Panela no Forno, que assinalou também o seu sétimo aniversário, e domingo dedicado à família. 

Na gastronomia, além da tradicional cherovia frita, dos fidalgos e dos covilhocos, a edição deste ano trouxe novas propostas desenvolvidas com o chef Rui Cerveira, da Casa da Esquila, como queijadas e azevias de cherovia, e uma caixa de doçaria pensada para levar o produto para fora da cidade. O festival teve ainda, pela primeira vez, uma componente de inclusão, com utentes de lares e da APPACDM a participar na decoração de várias ruas do Centro Histórico. 

Para os visitantes, a organização disponibilizou, na noite de sábado, autocarros gratuitos entre o Complexo Desportivo da Covilhã e as portas do festival, entre as 20h00 e a 1h30, numa zona que sofreu cortes de trânsito ao longo dos quatro dias. 

Estudantes têm dia dedicado 

A ligação à comunidade académica da Universidade da Beira Interior é outro dos eixos que a organização quer reforçar. A Associação Cultural Desertuna, um dos três organizadores, tem origem precisamente na UBI, e a quinta-feira do festival — o primeiro dos quatro dias — é tradicionalmente dedicada aos estudantes. “Temos aqui a grande participação dos vários grupos culturais que a Universidade tem”, nota Nuno Abreu, sublinhando que a coincidência de datas com o início do ano letivo não é por acaso: “Para muitos, é a primeira vez que estão a visitar a nossa cidade. É muito importante, em termos de integração e inclusão da nossa comunidade, poderem ter, logo no início do ano letivo, esta oportunidade de interagir com a nossa cultura e com a sociedade da Covilhã.” 

O responsável aponta ainda uma ambição que vai além da presença estudantil nas ruas do festival: a investigação académica sobre a própria cherovia. “Quem conhece a cherovia sabe que é um tubérculo. Na Covilhã, era utilizado exclusivamente na cherovia frita e, ao longo destes 19 anos de festival, hoje, quando passamos nessas barracas, temos centenas de produtos diversificados que têm cherovia.” Para Abreu, aliar a Universidade a este processo “pode ajudar bastante em termos de promoção do produto, do próprio festival e também na investigação, no sentido de podermos encontrar outro tipo de produtos da cherovia, com outra sustentabilidade e outra componente académica.” 

Quanto ao futuro do festival, Nuno Abreu não hesita: são necessários mais apoios. “O nosso financiamento vem em exclusivo da Câmara da Covilhã. A organização são três entidades — a Banda da Covilhã, a Desertuna e a Covilhã Eventos — e depois temos o apoio da Câmara Municipal.” Segundo o organizador, um maior número de apoios permitiria “alargar o que é o Festival”, desde aumentar o número de participantes a trazer “outro tipo de oferta musical” capaz de atrair mais população. 

 

Com a 20ª edição já no horizonte do próximo ano, a ambição está definida: “Gostaria, sem dúvida, de alargar o número de participantes, que é conseguido, como é óbvio, através dos apoios, e poder ter aqui uma maior visibilidade de resposta em termos musicais.” 

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