Covilhã Desportiva: Entre o Sucesso Logístico Municipal e o Desafio da Atração Local

O evento mobilizou centenas de participantes e contou com o forte apoio da autarquia na organização, mas clubes locais apontam dificuldades em converter visibilidade em novas inscrições.

A edição de 2026 da Covilhã Desportiva foi marcada por uma expansão significativa, duplicando a sua duração habitual de cinco para dez dias de atividades em múltiplos palcos urbanos tais como o Jardim das Artes, Jardim do Lago e instalações desportivas na cidade, entre os dias 15 e 24 de maio.

O evento procurou não só aproximar os participantes de diferentes modalidades, mas também dar palco ao forte associativismo da região. Contudo, o balanço final da iniciativa deixa uma dualidade evidente entre a excelência da engrenagem organizativa e o retorno real imediato para os clubes participantes.

Em declarações exclusivas ao Urbi, o Vereador do Desporto da Câmara Municipal da Covilhã, Luís Marques, destacou a facilidade com que o projeto ganha escala devido à energia própria e à força do associativismo da região.

“Quando estamos a programar um evento ao nível do desporto e do associativismo no nosso concelho, é fácil nós fazermos crescer. Porque temos um movimento associativo muito forte, temos muitos clubes, muitas modalidades, excelentes dirigentes associativos, treinadores, atletas”.

O autarca reforça que a Covilhã Desportiva funciona como “apenas uma mostra daquilo que se faz na cidade e que acolhemos durante o resto do ano”, viabilizada graças a “muita ajuda e muito apoio das nossas organizações e associações”.

Um dos pilares mais vincados desta edição foi o desporto inclusivo, materializado num dia inteiramente dedicado ao desporto adaptado. O objetivo, segundo Luís Marques passou por provar que nada deve ser um entrave à prática desportiva no concelho.

Como grande símbolo de superação, o evento levou às escolas locais o testemunho do atleta paralímpico Jorge Pina, um pugilista que perdeu a visão e encontrou no atletismo uma nova rampa de lançamento para o sucesso, tendo sido finalista nos Jogos Olímpicos de Londres.

Jorge Pina refere também que não é por se ter algum problema físico que isso nos vai impedir de praticar uma modalidade a cem por cento.

Para Guilherme Mendes, integrante do clube Unidos Futebol Clube do Tortosendo, envolvido na dinamização das atividades, a grande vitória do evento residiu na cooperação com o executivo camarário. A logística, frequentemente apontada como o principal entrave para eventos deste tamanho, funcionou sem sobressaltos, fruto de uma presença constante e ativa da Câmara Municipal.

“A entidade que mais nos acompanhou ao longo de todo o processo foi, sem dúvida, a Câmara Municipal, que demonstrou desde o início uma grande preocupação e disponibilidade para apoiar a realização desta iniciativa.”

O mesmo membro do Unidos sublinha ainda que, apesar da presença e da adesão das pessoas, existiram dificuldades em convencer o público. Mesmo com estratégias de comunicação direta e distribuição de suportes informativos, o retorno prático foi considerado residual.  “De uma forma geral, não consideramos que o evento tenha contribuído significativamente para aumentar o número de inscrições no clube.”, considera Guilherme Mendes.

A perceção do público geral foca-se essencialmente na vertente de lazer e na oportunidade de usufruir do espaço público de forma dinâmica. Para as famílias que visitaram o evento, a iniciativa cumpre o seu papel de animação urbana, embora nem sempre resulte numa mudança de rotinas a longo prazo.

“O ambiente estava excelente e foi fantástico ver os miúdos a experimentar o basquetebol na rua de forma tão acessível. É um dia diferente para a cidade e a organização esteve impecável. No entanto, com a correria diária das aulas e dos nossos trabalhos, acaba por ser difícil inscrevê-los formalmente num clube após o evento, por isso para nós funciona mais como um ótimo dia de festa em família.”, diz Margarida Martins.

O desafio futuro para a organização e para as associações locais passará agora por encontrar canais de comunicação pós-evento que consigam transformar o entusiasmo e o sucesso logístico desta festa anual num compromisso desportivo contínuo ao longo de toda a época.

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