Rendas reguladas, contratos estáveis e duradouros, mais habitação pública, travar a especulação imobiliária, indexar a prestação bancária aos valores de fevereiro de 2026 e pôr o fim aos despejos sem alternativa nenhuma. Foram estas as reivindicações do movimento Casa para Viver, que voltou às ruas de 15 cidades do país, entre as quais a Covilhã, no passado sábado, 21 de março.
Marisa Marques, porta-voz do movimento Porta a Porta na Covilhã, afirma que as medidas do atual Governo têm “falhado consecutivamente” e critica propostas de rendas moderadas na ordem dos 2.300 euros, afirmando que favorecem “aqueles que mais vantagens e menos dificuldades têm”.
Entre os manifestantes, também estudantes deslocados deram voz às dificuldades no acesso à habitação. Júlia Nicolau, uma estudante a frequentar o ensino superior em Lisboa, refere que, sem apoio familiar, “seria completamente impossível” suportar os custos atuais, apontando valores entre os 650 e os 700 euros por um quarto, aos quais acrescem despesas essenciais como alimentação.

A dificuldade no acesso à habitação entre estudantes foi também sublinhada por outro participante, que, numa intervenção durante a manifestação, partilhou a sua experiência enquanto aluno deslocado na Covilhã.
“Dezenas de milhares de camas continuam por construir” referiu Fabiano Faria, apontando o que considera ser um “desinvestimento” no alojamento estudantil e o incumprimento do Plano Nacional de Alojamento no Ensino Superior.
Na intervenção, alertou para o facto de muitos jovens serem “empurrados para o mercado privado”, onde enfrentam preços elevados, sem que existam apoios suficientes para responder a essa realidade. “Não existem bolsas sequer que consigam acompanhar estes custos”, afirmou, descrevendo um cenário em que o acesso à habitação se torna um obstáculo à continuidade dos estudos.
A manifestação na Covilhã integrou-se numa mobilização nacional que voltou a colocar a crise da habitação no centro do debate público, com os participantes a exigir medidas concretas e urgentes para assegurar o direito a uma casa digna. O protesto ficou marcado pela convergência de diferentes gerações em torno de uma preocupação comum: o acesso à habitação continua longe de estar garantido.





















