A Universidade da Beira Interior participou num estudo internacional dedicado à crise sísmica ocorrida em março de 2022 na ilha de São Jorge, nos Açores, investigação que traz novos contributos para a previsão de perigos vulcânicos e para a gestão de situações de risco. As conclusões do trabalho foram publicadas na revista científica Nature Communications.
O estudo contou com a participação do investigador Rui Fernandes, associado ao polo do Instituto Dom Luiz, e teve também o contributo da UBI através da disponibilização de dados geodésicos provenientes de estações GNSS/GPS. Estes registos foram facultados pelo portal nacional do C4G – Colaboratório para as Geociências, infraestrutura de investigação coordenada pela instituição, permitindo acompanhar com maior rigor a deformação do terreno, um dos sinais mais relevantes para interpretar episódios de agitação vulcânica.
No artigo, os investigadores explicam que grandes falhas geológicas podem desempenhar uma dupla função: por um lado, facilitar a subida do magma e, por outro, impedir que essa progressão resulte numa erupção. Para reconstruir o percurso subterrâneo do magma, a equipa cruzou localizações sísmicas de alta resolução, obtidas com recurso a sismómetros em terra e no fundo do mar, com medições de deformação recolhidas por radar de satélite e GPS.
A investigação concluiu que uma intrusão magmática ascendeu rapidamente a partir de profundidades superiores a 20 quilómetros, mas acabou por ficar retida a cerca de 1,6 quilómetros abaixo da ilha. Um dos aspetos destacados pelos autores é o facto de grande parte deste processo ter ocorrido com reduzida atividade sísmica, verificando-se muitos dos sismos apenas depois de o magma ter parado a sua ascensão, o que pode dificultar a avaliação imediata do risco de erupção.
As observações por satélite confirmaram ainda que a superfície vulcânica se elevou cerca de seis centímetros, indicando que o magma entrou na crusta superficial, embora sem atingir o exterior. Os cientistas descrevem este cenário como uma “erupção falhada”.
O trabalho evidencia, por isso, a importância de cruzar dados recolhidos em terra e no mar para melhorar a capacidade de resposta perante crises vulcânicas. A investigação reuniu instituições de Portugal, Espanha e Reino Unido e contou com financiamento internacional.

























