Vício em apostas online aumenta após a pandemia, alertam especialistas

O número de pessoas a procurar ajuda psicológica por dependência em apostas online aumentou significativamente desde a pandemia de COVID-19. O alerta é feito por Maggie Vaz, psicóloga clínica, que aponta o fácil acesso através do telemóvel e a ilusão de dinheiro rápido como fatores determinantes para este crescimento.

Segundo a especialista, o jogo online potencia o vício mais rapidamente do que o casino físico, pois, no ambiente online, existe uma abstração do dinheiro. A aposta é feita com um clique, sem a perceção imediata da perda real, o que leva a um descontrolo maior.

Classificado pela especialista como transtorno mental, o vício do jogo manifesta-se frequentemente através de isolamento social, mentiras financeiras e da chamada “perseguição da perda”, quando o jogador acredita que a próxima aposta irá recuperar tudo o que perdeu.

Maggie Vaz alerta ainda para o facto de muitos jovens não reconhecerem o problema numa fase inicial. “Existe uma normalização das apostas online, sobretudo entre os mais novos, o que faz com que os sinais de dependência sejam facilmente ignorados, tanto por quem joga como por quem está à volta”, sublinha.

A realidade do problema é confirmada pelo jovem de 20 anos João (nome fictício), que passou por um período de dependência sem se aperceber. “Começou como algo inofensivo, só para me distrair. Só mais tarde percebi que já não controlava o tempo nem o dinheiro que gastava”, relata.

O jovem acabou por interromper o ciclo após o alerta de amigos próximos. “Foram eles que me abriram os olhos. Quando percebi que estava a esconder perdas, soube que tinha de parar”, acrescenta.

Para o tratamento, Magui Vaz destaca a importância da terapia cognitivo-comportamental, aliada à prática regular de exercício físico. “O desporto ajuda a regular a ansiedade e a autoestima, funcionando como uma alternativa saudável aos impulsos do vício. O segredo está na consistência”, conclui.

Num contexto em que as apostas online estão cada vez mais presentes no quotidiano, os especialistas defendem a necessidade de maior sensibilização, sobretudo junto aos jovens. Reconhecer os sinais precocemente e falar abertamente sobre o problema pode ser determinante para evitar consequências graves aos níveis psicológico, financeiro e social, num vício que continua a crescer de forma silenciosa.

 

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