A Unidade Local de Saúde da Cova da Beira (ULSCBEIRA) alargou a atividade de cirurgia robótica ao Serviço de Urologia, depois de esta tecnologia ter sido introduzida nas áreas da Cirurgia Geral, Ortopedia e Ginecologia.
As primeiras duas intervenções urológicas decorreram a 16 de outubro e destinaram-se ao tratamento do cancro da próstata. Os doentes receberam alta hospitalar na manhã seguinte, assinalando o arranque de uma nova etapa na capacidade assistencial da instituição.
As prostatectomias radicais robóticas foram realizadas pelo urologista Bruno Jorge Pereira, responsável pela implementação desta abordagem na ULS da Cova da Beira, em colaboração com Diogo Carneiro, especialista do Hospital de Santo António, no Porto, com experiência nesta área.
A introdução da cirurgia robótica na Urologia é apresentada pela instituição como uma aposta na modernização e diferenciação dos cuidados de saúde, procurando também melhorar o acesso da população da Beira Interior a procedimentos de elevada complexidade.
Segundo Bruno Pereira, o avanço permite aproximar a inovação dos utentes e reduzir a necessidade de deslocações para outros centros hospitalares. O especialista destaca ainda o potencial da iniciativa para atrair e fixar profissionais diferenciados, bem como para reforçar a formação e a investigação científica.
Aplicações no tratamento de doenças oncológicas
A cirurgia robótica tem aplicação em diferentes procedimentos urológicos, incluindo a prostatectomia radical no tratamento do cancro da próstata, intervenções ao rim e, em casos selecionados, cirurgia ao cancro da bexiga. Pode igualmente ser utilizada em procedimentos de reconstrução do aparelho urinário.
A ULSCBEIRA prevê alargar progressivamente a atividade. Entre as intervenções programadas encontra-se uma reimplantação do ureter na bexiga, indicada para 30 de outubro.
A escolha dos doentes é feita de forma individualizada, tendo em conta a patologia, o estádio da doença, as características clínicas e os benefícios esperados. A decisão deve assentar em critérios clínicos e científicos, de modo a garantir que a abordagem é adequada a cada situação.
A plataforma robótica Hugo RAS combina visualização tridimensional de alta definição com instrumentos articulados, permitindo ao cirurgião realizar movimentos precisos através de uma técnica minimamente invasiva. Entre os benefícios potencialmente associados estão a menor perda de sangue, a redução da dor no pós-operatório e uma recuperação mais rápida, dependendo do procedimento e da condição clínica.
No tratamento do cancro da próstata, a precisão cirúrgica pode também ser relevante para preservar estruturas relacionadas com a continência urinária e a função sexual, sempre que isso seja compatível com a segurança oncológica.
Bruno Pereira sublinha, contudo, que a tecnologia não substitui a experiência nem o julgamento clínico, considerando que os resultados dependem da conjugação entre equipamento, competências profissionais e trabalho de equipa.
A implementação do programa implicou preparação dos profissionais, planeamento e adaptação dos circuitos assistenciais. A ULS destaca o contributo das equipas de anestesiologia, enfermagem e assistentes operacionais, assim como o apoio da direção do Serviço de Urologia e dos órgãos de gestão da instituição.
























