Alunos de Aeronáutica lançam primeiro foguete experimental

A equipa de estudantes da iniciativa Rocketry Unit OF Beira Interior”, (RUBI), concretizou no dia 7 de março, o primeiro lançamento de um foguete, pela UBI, na pista do Aeroclube da Covilhã. O engenho alcançou uma altura de 180 metros. 

 

A Rubi é um projeto desenvolvido pelos alunos da licenciatura em Engenheira Aeronáutica, fora do âmbito curricular, com o propósito de aproximar os estudantes da parte mais prática da engenharia aeroespacial.

Nuno Quitério, atual líder de equipa e aluno de mestrado em Engenharia Aeronáutica na UBI, fala sobre esta iniciativa.

 

 

O projeto começou em 2021, com o nome original “Fénix Rocket Team”, porém no início deste ano o projeto recebeu uma nova imagem, um novo nome e uma estratégia diferente para alcançar os seus objetivos.

Atualmente, a iniciativa integra 32 estudantes e organiza-se por várias subequipas, que tratam de diferentes áreas, como as equipas de Propulsão, Recuperação, Estrutura, Aviónica e Investigação e Desenvolvimento.

 

Mesmo sendo uma iniciativa criada por parte dos estudantes, a Rubi conta com o apoio e a orientação dos professores da Faculdade de Engenharia, que para além de disponibilizarem a sua experiência e conhecimento técnico, também facultam um espaço dentro na faculdade para que os estudantes possam trabalhar.

Francisco Brojo, docente do Departamento de Ciências Aeroespaciais é um dos professores que contribui para este projeto e ressalta a importância deste tipo de ações na formação académica dos estudantes.  

“Falando numa perspetiva de engenharia, o curso de uma universidade é uma linha de montagem. Os estudantes quando chegam são matéria-prima, nós professores somos operários e queremos que, quando eles saem no final da linha de montagem, quando tem o título, sejam um bom produto.
Portanto, este tipo de atividades ajuda a que eles sejam bom produto e a terem o sucesso do futuro. Fico muito contente com isso

O Sirius, nome dado ao foguete, marca esta nova etapa da equipa após a redenominação do projeto. Foi concebido como um primeiro teste de baixa altitude, com o objetivo de alcançar os 200 metros.

 

 

É unânime dentro da equipa que o lançamento do Sirius foi um sucesso a nível de execução, tendo sido o primeiro foguete em que efetivamente se conseguiu concretizar a subida, e chegando perto do objetivo de lançamento, ao atingir um altitude de cerca de 180 metros. Ao atingir a altitude pretendida, ocorreu uma falha no computador de bordo, levando a que a abertura do paraquedas não ocorresse. 

Foi um pequeno erro que existiu, mas nada de preocupante. E se esse erro não tivesse acontecido, certamente teríamos um lançamento 100% bem-sucedido. Nós estamos confiantes na equipa que montou o foguete, afirma João Dias, aluno do 2º ano e coordenador da Equipa de Recuperação da RUBI.

O desenvolvimento do foguete decorreu num período relativamente curto, entre três semanas e um mês, tendo como principal finalidade testar sistemas e proporcionar experiência prática no processo de construção e lançamento.
João Dias, fala sobre os desafios técnicos enfrentados na produção do foguete:  

 

 

O foguete Sirius foi construído desde o zero pelos integrantes da equipa. Utiliza um motor de pequena dimensão alimentado por “Rocket Candy, um combustível composto por açúcar e fertilizante, capaz de gerar pressões na ordem dos 30 bar. A estrutura foi construída com fibra de vidro, uma opção que permitiu reduzir custos de fabricação, enquanto vários componentes foram produzidos localmente.

A concretização do projeto foi possível graças aos patrocínios de que a RUBI dispõe, maioritariamente nacionais, que contribuem com financiamento, software especializado, materiais e suporte técnico, entre os quais a Autoridade Nacional de Aviação Civil.

Nuno Quitério, ressalta a importância deste tipo de projetos: Na faculdade nós somos principalmente ensinados na parte teórica. E eu diria que estar num projeto ajuda muito na parte prática, aproximamo-nos daquilo que é realmente o nosso trabalho, tanto na parte manufatura, como na parte de dimensionamento, a parte das simulações, tudo. Toda essa parte nós aprendemos aqui.” 

Nos próximos meses, a equipa pretende continuar a desenvolver novos foguetes e a preparar a participação no EuRoC (European Rocket League Challenge), organizado pela Agência Espacial Portuguesa em parceria com a Agência Espacial Europeia. Está também previsto um novo lançamento para dia 9 de abril, aberto ao público, além do recrutamento de novos membros através das redes da RUBI. 

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