Durante os dias 21 e 22 de março, os voluntários atuaram diretamente no terreno, plantando árvores como nogueira, pessegueiro e figueira, contribuindo para a recuperação da biodiversidade local. A ação incluiu a implementação de cerca de 80 metros de agrofloresta, um sistema que combina árvores com culturas agrícolas, em linha e a construção de uma pequena barragem de contenção de água, com uma área de 10 m². Esta intervenção faz parte de um conjunto de eventos sazonais que incentiva a participação ativa na regeneração dos solos.
Para Filipa Costa, coordenadora do projeto e representante da PRIP, que reúne ativistas e cidadãos na promoção de uma sociedade mais sustentável, a ação vai além da plantação. “Queremos fortalecer este movimento comunitário de entreajuda. A comunidade junta-se para regenerar os terrenos uns dos outros”, explica a responsável.

O nome da iniciativa reflete esse propósito e o momento em que decorre. “O Despertar do Solo surge porque começamos agora na primavera e sentimos que é exatamente isso: um despertar”, afirma a coordenadora.
“Estamos a combinar a componente comunitária, científica e artística. Isso aumenta a força da ação, porque os participantes compreendem a importância do solo, aprendem técnicas de agrofloresta e expressam artisticamente a experiência, criando uma ligação maior entre si e com o movimento de regeneração”, destaca a orientadora.
Entre os voluntários, Wiliam Júnior, estudante brasileiro a viver na Covilhã há sete meses, recorda o impacto emocional dos incêndios: “Foi uma perda de biodiversidade e de várias coisas. Sinto que é uma forma de trocar energias com a natureza, eu ajudo e ela ajuda-me purificando as nossas energias”.
Margarete Arndt, residente em Portugal há seis anos e com experiência em agricultura ecológica, sublinha o valor da participação humana na recuperação de terrenos.” Não podemos fazer tudo, mas o que fazemos é uma contribuição muito válida. A regeneração com a mão humana pode acelerar os processos naturais e inspirar outras comunidades”. Para a participante a motivação é simples: “Amor à terra e à natureza”.
A ação ‘Despertar do Solo’ pretende afirmar-se como um exemplo de mobilização comunitária para a recuperação de áreas afetadas por incêndios, promovendo a consciência ambiental e a participação ativa da população.























