A cidade da Covilhã deu início às celebrações do 52.º aniversário do 25 de Abril, na quinta-feira (23/04) com uma arruada literária pela liberdade, organizada pelo grupo de atividades da Covilhã, que reuniu participantes entre os 23 e mais de 80 anos, num encontro marcado pela partilha de memórias, reflexão e expressão cultural.
A iniciativa teve início na Praça do Município e percorreu vários pontos da cidade, incluindo o miradouro das Portas do Sol, a Igreja de Santa Maria e a zona envolvente à Câmara Municipal, com paragens ao longo do percurso para a leitura de textos alusivos à liberdade e à democracia. Em cada momento, a participação da Desartuna, tuna masculina da UBI, trouxe uma componente musical à arruada, reforçando o ambiente de celebração e envolvimento entre os participantes.
Mais do que um evento simbólico, a arruada destacou-se pela diversidade de gerações presentes, cruzando testemunhos de quem viveu o antes e o depois da Revolução dos Cravos com a visão de participantes mais jovens.
Para Fátima Pimpão, nem todos os valores de Abril permanecem intactos: “Uns estão presentes e outros já não, alguns já se perderam muito”. A participante afirma ainda que “antes notava-se mais a liberdade”. Ainda assim, recorda o impacto profundo da revolução: “Antes não podíamos falar e agora já dizemos o que sentimos”.
Também António Pimpão sublinha a importância da mudança trazida por Abril, destacando que o essencial foi “ter mais um bocadinho de liberdade e poder expressar-se mais”.
A arruada foi igualmente encarada como uma forma inovadora de celebrar a data. “Contribui para a cultura geral, é inovar, se não ficamos sempre na mesma”, refere Fátima Pimpão, acrescentando que estas iniciativas permitem recordar “os tempos difíceis e aquilo que conseguimos alcançar”.
Entre os participantes mais jovens, a percepção é de continuidade e reforço dos valores de Abril. João Paiva, membro da tuna Desartuna, considera que “essa ideia tem sido cada vez mais reforçada pelo povo”, destacando o papel das iniciativas promovidas pelas autarquias.
Ainda assim, permanece a consciência de que a liberdade não deve ser encarada como garantida. “A liberdade conquista-se todos os dias”, afirma Sandra Mendes, defendendo a importância de iniciativas como esta para “construir Abril diariamente” e transmitir os seus valores às novas gerações.
Segundo a organização, a arruada literária realiza-se há cerca de dez anos e pretende envolver a comunidade numa celebração participativa, onde a cultura e a memória histórica se cruzam.
As comemorações do 25 de Abril na Covilhã prolongam-se ao longo dos próximos dias, com várias iniciativas culturais e evocativas, reforçando a importância de preservar os valores da liberdade, da democracia e da participação cívica.










































