As condições oferecidas aos trabalhadores são cruciais para o desenvolvimento de uma empresa. No mês da segurança, Paula Vieira, diretora de segurança da empresa EPAL-Águas do Vale do Tejo, e Luís Moreira, diretor da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) na Covilhã, falaram sobre a legislação e a sua experiência na área numa aula aberta, realizada na passada quarta-feira na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade da Beira Interior.
Desde os casos mais gerais aos fenómenos mais particulares e adaptados a cada tipo de negócio, os temas mais desenvolvidos foram a medicina no trabalho e algumas lacunas que ainda hoje passam despercebidas, e também a preparação das empresas para desastres que envolvam planeamentos de segurança e emergência, como por exemplo os incêndios.

Na sua carreira, Paula assume que, apesar de não ser a sua área de formação, sentiu a vocação: “Não só queria fazer disto a minha vida, como cada vez mais percebo o impacto destes temas na vida dos trabalhadores e das próprias empresas”. Paula acrescenta que uma empresa mais segura, não só é mais precavida, como se pode tornar mais produtiva:
E se antes eram vistos como “operadores invisíveis”, atualmente as pessoas veem os inspetores de segurança com outros olhos. Paula Vieira assume ser gratificante, e afirma que a segurança no trabalho não se desenvolve apenas a partir de si, mas do entendimento das tarefas e da perspetiva dos trabalhadores:
Também Luís Moreira, inspetor do trabalho há quase 50 anos, abordou um pouco da sua experiência prática na área. O que mais notou ao longo dos últimos anos foi a forma como se conseguiu normalizar a formação de queixas de vítimas de assédio, bullying e assuntos de domínio psicotécnico: “Antigamente, dentro de uma empresa, ninguém ligava a estas questões, e agora elas existem”. “Sempre que formalizam queixas desta tipologia, nós e as empresas temos de avaliar os riscos psicossociais e ver se existem canais para ajudar as vítimas”, acrescenta o inspetor.
Maria José Madeira, docente da unidade curricular de Projeto Empresarial e organizadora da aula aberta, reforça a importância destes eventos, que não só ampliam os conhecimentos, como trazem as perspetivas de profissionais e a aplicação daquilo que aprendem em contextos reais, mostrando uma dimensão que não se limita aos exemplos e à teoria dada no contexto da unidade curricular.
Nos últimos três anos, na União Europeia, faleceram aproximadamente 3 300 pessoas em acidentes de trabalho, e a falta de saúde e segurança no trabalho representa atualmente uma quebra de 4% do PIB, avaliado em 500 milhões de euros.




































