O Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior (MUSLAN-UBI) comemorou três marcos fundamentais da sua história e da própria cidade: o 40.º Aniversário da UBI, os 30 anos da abertura do Núcleo da Real Fábrica de Panos e os 15 anos da inauguração do Núcleo da Real Fábrica Veiga. Para assinalar estas datas, decorreu até ao dia 13 de maio um ciclo de visitas guiadas gratuitas abertas a toda a comunidade.
As visitas tiveram início no dia 8 de maio no Núcleo da Real Fábrica de Panos e tiveram cerca de uma hora e meia de duração, onde ofereceram uma viagem profunda pela memória da indústria têxtil, guiada por técnicos e investigadores com diferentes especialidades.
Vanessa Duarte, pós-graduada em Património Cultural e Museologia e uma das guias deste ciclo e colaboradora do Museu, acredita que o acervo vai muito além de objetos inanimados. Questionada sobre qual das máquinas “adormecidas” teria a história mais impressionante para contar, Vanessa destaca a máquina de cardar. Estas máquinas fabricadas no final do século XIX e início do século XX substituíam o trabalho manual. Algumas das maiores máquinas tinham cerca de 50 metros de comprimento, existindo também em tamanho reduzido, mas não com tanta produção.
“Certamente que a máquina de cardar seria a que mais histórias teria para contar, tendo em conta que era um dos maquinismos que mais acidentes de trabalho provocava”, explica Vanessa Duarte. “Bastava uma distração e facilmente um pedaço de roupa ou cabelo solto era engolido pelas roldanas”, conta a guia, sublinhando a dureza e o risco que marcaram gerações de operários na Covilhã.
Sobre o museu que ganha uma mística especial quando as luzes se apagam e o público sai, a técnica aponta para as origens: “Para mim, a zona arqueológica é o espaço com uma mística especial, quantas histórias não terão aquelas primitivas lajes de granito para contar”.
Com o encerramento deste ciclo de visitas, o Museu volta à sua rotina normal, aberto a visitas diárias. Embora a participação do público tenha sido discreta, a iniciativa cumpriu o seu propósito fundamental: manter viva a memória de uma indústria feita de homens, mulheres e perigos reais.



















