“A UBI ocupa um lugar singular no panorama do ensino superior português”

A celebrar 40 anos e a crescer cerca de 10% no número de novos alunos, a UBI deu início ao ano letivo de 2026/2027. Na sessão solene, a reitora Ana Paula Duarte destacou o impacto transformador da universidade no território, o plano de expansão do alojamento para a maioria dos estudantes deslocados e a firmeza da academia perante políticas de centralização no ensino superior.

A Universidade da Beira Interior (UBI) deu início ao ano académico de 2026/2027 com a celebração, esta quinta-feira, 15 de outubro, da sua sessão solene de Abertura do Ano Letivo, um marco que coincide com os 40 anos de história da instituição e mais de cinco décadas de ensino superior na região. Na sua intervenção, a reitora da UBI, Ana Paula Duarte, sublinhou que este representa “um momento de renovação de um compromisso coletivo” e de “afirmação do papel da Universidade” na formação humana, na produção científica e no desenvolvimento solidário da sociedade. O arranque do ano ficou, de resto, assinalado por um crescimento da atratividade académica, registando-se 1.479 estudantes matriculados via Concurso Nacional de Acesso (um aumento de cerca de 10% face ao ano anterior), o preenchimento total das vagas para estudantes internacionais (279 alunos), e a frequência de 1.009 alunos nos cursos de Mestrado e 227 em Doutoramento.

A afirmação do papel da UBI no desenvolvimento regional e nacional foi outro dos temas sublinhados pela reitora da UBI. Para Ana Paula Duarte, a instituição “apresenta-se como um exemplo expressivo de como o conhecimento pode transformar territórios e abrir novas perspetivas de desenvolvimento”. Perante o debate em torno do modelo binário e a reconfiguração do Ensino Superior, a reitora garantiu firmeza institucional: “não tememos ou receamos as mudanças, nem mesmo a proliferação de universidades no país, mas seremos firmes na defesa do papel e da missão da UBI”. Rejeitando tendências de centralização, acrescentou que “perante derivas centralistas ou políticas que desconsideram o papel da Universidade para o ecossistema de toda a região, continuaremos firmes a construir uma comunidade universitária única e sustentável”.

Aprofundando a identidade e o posicionamento estratégico UBI, a reitora vincou ainda que a instituição é uma marca consolidada internacionalmente. “Não vivemos com dúvidas existenciais sobre questões nominativas, mas focados na melhoria do funcionamento da instituição e na construção de um caminho que continue a consolidar a UBI como um dos projetos mais bem-sucedidos no panorama educativo nacional”, declarou. Reforçando que a missão académica ultrapassa a mera preservação institucional – “não estamos aqui apenas para preservar uma instituição; estamos aqui para a desenvolver, para a transformar e para a tornar cada vez mais relevante para as pessoas, para a região e para o país” -, Ana Paula Duarte apelou à vivência de valores fundamentais assentes no “respeito pela dignidade de cada pessoa, na liberdade de pensamento, na honestidade intelectual” e na afirmação de uma “cultura de exigência sem arrogância, de ambição sem exclusão e da excelência sem indiferença perante as dificuldades dos outros”.

Lembrando que mais de 80% dos estudantes da UBI são deslocados e que os custos de habitação constituem um grande obstáculo ao acesso ao ensino superior, a reitora detalhou as medidas em curso para expandir o alojamento estudantil, onde não se registavam novas camas há mais de duas décadas. O plano inclui a reabertura, em breve, da Residência 1 (125 camas), a abertura da Residência da Boavista (24 camas com espaços de convívio) e o avanço dos estudos para uma nova residência junto à Faculdade de Ciências da Saúde.

A reitora destacou ainda o reforço do apoio à saúde mental, a consolidação do projeto “Campus Saudável”, a abertura do novo ginásio e a modernização pedagógica com a “Sala Épica”. No plano organizacional, instou toda a comunidade a participar ativamente na Assembleia Estatutária para a revisão dos estatutos no âmbito do novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES) e na consulta pública do Orçamento Participativo, resumindo a visão da gestão: “Se o conhecimento constitui a razão de ser da Universidade, as pessoas são o centro da sua missão”.

A dimensão internacional da UBI foi igualmente enfatizada através da sua presença fundadora na Aliança Europeia UNITA, que agrega hoje mais de 250 mil estudantes focados na valorização das línguas românicas e nos territórios de montanha e transfronteiriços. A fechar a sua intervenção, e perante desafios globais como a inteligência artificial, as alterações climáticas e as tensões geopolíticas, Ana Paula Duarte exortou a academia a antecipar o futuro e a construir de forma contínua uma “universidade exigente, inovadora, humanista e aberta ao mundo”.

 

AAUBI exige melhores condições e defende estudantes perante o subfinanciamento

O presidente da Associação Académica da Universidade da Beira Interior (AAUBI), João Nunes, deu as boas-vindas aos estudantes e sublinhou que celebrar os 40 anos da UBI exige assumir a responsabilidade pelas melhorias que ainda se impõem. Na sua intervenção, focou-se nas condições essenciais dos estudantes, exigindo o reforço e maior eficiência das cantinas universitárias e uma resposta urgente ao problema do alojamento, cuja capacidade efetiva se situa em cerca de 500 camas face às requalificações pendentes.

O dirigente associativo assumiu uma posição firme contra o descongelamento das propinas, defendendo que “os estudantes não devem compensar com os seus orçamentos o subfinanciamento que cabe ao Estado corrigir”. João Nunes destacou também medidas de apoio como a Bolsa Social de Apoio Psicológico e perspetivou a projeção internacional da Covilhã com o Campeonato Europeu Universitário de Ténis de Mesa em julho de 2027, desejando aos novos alunos que a UBI se torne “casa no vosso dicionário de valores”.

Conselho Geral apela ao pensamento crítico e à universidade como espaço de vivência democrática

A vice-presidente do Conselho Geral da UBI, Graça Rojão, centrou a sua mensagem na necessidade do pensamento crítico numa era dominada pela abundância de dados e pela inteligência artificial. “A universidade não compete com máquinas na produção de respostas; forma pessoas capazes de fazer perguntas”, afirmou, defendendo a importância de questionar certezas, resistir a slogans simplistas e aprender a discordar sem transformar o outro num inimigo.

Graça Rojão destacou a vivência democrática e a diversidade cultural do espaço académico como oportunidades para encontrar pessoas fora das bolhas dos algoritmos. Invertendo a visão tradicional sobre o interior, propôs refletir sobre o que se pode compreender do mundo a partir da UBI. Recorrendo às palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen (“Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar”) e à reflexão de Eduardo Galeano sobre o direito de imaginar o futuro, encorajou os estudantes a habitar plenamente a universidade e a exercerem a sua capacidade coletiva de construir alternativas.

Oração de Sapiência dedicada ao financiamento e produtividade das PMEs

A sessão solene encerrou com a Oração de Sapiência, proferida pela por Zélia Serrasqueiro, sob o tema “Financiamento e Produtividade de Capital Humano em Contexto de Financiamento das Empresas”. A docente apresentou uma análise sobre o tecido empresarial português, no qual as micro, pequenas e médias empresas (PMEs) representam 99,9% do setor não financeiro e asseguram cerca de 78% do emprego.

A Professora Catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UBI demonstrou que o acesso ao crédito, a qualificação do capital humano e a modernização tecnológica formam uma cadeia de causalidade determinante para alavancar a produtividade e a competitividade das PMEs, evidenciando o contributo decisivo da investigação produzida na UBI para o desenvolvimento económico e a coesão territorial.

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