A Universidade da Beira Interior (UBI) acolheu na quinta-feira, 8 de outubro, o colóquio internacional “Questões do Nosso Tempo”, uma iniciativa organizada em parceria com a Câmara Municipal da Covilhã e o Instituto para a Promoção da América Latina e das Caraíbas (IPDAL), que reuniu especialistas e representantes diplomáticos para debater os principais desafios do atual contexto internacional. A crise do multilateralismo, os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente e o posicionamento da América Latina num sistema internacional cada vez mais multipolar estiveram no centro da discussão.
Sob o mote de “pensar local para agir global”, o encontro procurou aproximar a reflexão académica das instituições públicas, das empresas e da sociedade civil, destacando o contributo que as dinâmicas regionais podem dar para responder a problemas de dimensão internacional.
Bruno Ferreira Costa, Vice-reitor para a Internacionalização e Comunicação Institucional da UBI, sublinhou a importância de envolver diferentes agentes na procura de respostas para os desafios contemporâneos: “trazer para debate as autarquias, as empresas, as organizações de âmbito local e regional, porque de facto conseguem desbloquear muitas vezes os problemas que vamos enfrentando. Portanto, é pensar global, mas agir global. Este é, de resto, um dos encontros com uma dimensão maior do ponto de vista da rede diplomática realizados na Covilhã. Há construção de pensamento aqui na Universidade da Beira Interior e daqui pode sair um conjunto de ideias e de propostas para o funcionamento das organizações internacionais”, reforçou.
O responsável salientou também que, apesar de frequentemente associados a cenários geográficos distantes, os fenómenos geopolíticos têm consequências concretas na vida quotidiana das populações. “Parece que estamos a falar de realidades e de impactos distantes, mas no custo de vida, no combustível, na eletricidade, no custo da habitação, nas ameaças securitárias que existem, no tempo mediático que estas temáticas acabam por ocupar, há aqui um impacto que é sentido no dia a dia”, lembrou Bruno Ferreira Costa.
Diplomacia e cooperação académica em destaque
A presença de representantes diplomáticos de vários países da América Latina e das Caraíbas constituiu uma das dimensões centrais do colóquio. A escolha da Covilhã para acolher a iniciativa foi justificada pela dinâmica económica, empresarial e académica da região, bem como pelo potencial de desenvolvimento de novas relações de cooperação.
Paulo Neves, presidente do IPDAL, destacou a importância de aproximar as embaixadas das empresas e das instituições de ensino superior da região: “nós escolhemos a Covilhã pela dinâmica da região a nível económico e empresarial, como também a nível académico, porque vocês têm uma das melhores universidades do país e até mesmo ao nível das relações internacionais. Viemos com um grupo muito vasto de embaixadores e diplomatas da América Latina e Caraíbas precisamente para conhecer a região, para fomentar a parte empresarial entre as embaixadas e as empresas locais e também a parte académica.”
O responsável identificou igualmente o crescimento do número de estudantes latino-americanos na UBI como uma oportunidade para aprofundar os laços entre a universidade e os países da região. “O número de estudantes latino-americanos aqui na UBI tem crescido bastante. Também é bom que a Covilhã se dê a conhecer nestes países para captar mais estudantes.”
A possibilidade de estabelecer novos acordos de cooperação académica esteve também em evidência. O Panamá poderá ser um dos países a reforçar a ligação à UBI, através de um entendimento que permita a mobilidade de estudantes para a instituição. José Javier Quintero, embaixador do Panamá em Portugal, revelou que estão em curso negociações com vista à celebração de um acordo, envolvendo o Instituto da Formação para os Recursos Humanos do país. “Este é o resultado deste tipo de encontros: fazemos contactos e a universidade daqui está a procurar ampliar o número de estudante da América Latina e o Panamá, através do Instituto da Formação para os Recursos Humanos, estamos em negociações para um acordo para ver se podemos conseguir panamenhos que queiram vir estudar cá. Oxalá se concretize até final do ano.”
A concretização deste entendimento poderá representar um novo passo na internacionalização da UBI, contribuindo para diversificar a proveniência geográfica dos estudantes e aprofundar as relações institucionais com a América Latina.
Três painéis sobre os desafios internacionais
O programa do colóquio foi estruturado em três painéis temáticos. O primeiro, dedicado à “Nova Ordem Global e à Crise do Multilateralismo”, contou com as intervenções de Nuno Severiano Teixeira, diretor do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade NOVA de Lisboa (IPRI-NOVA), conselheiro de Estado e antigo ministro da Defesa Nacional e da Administração Interna; Liliana Reis, docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UBI e antiga deputada; e Paulo Neves, presidente do IPDAL. A moderação esteve a cargo de Bruno Ferreira Costa.
O segundo painel centrou-se nas “Frentes de Guerra e de Tensão: Ucrânia, Médio Oriente”, com a participação de Maryna Mykhailenko, embaixadora extraordinária e plenipotenciária da Ucrânia em Portugal, e de Jorge Tavares da Silva, docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UBI, também sob moderação do vice-reitor.
A presença da representante diplomática ucraniana ficou igualmente marcada pelas manifestações de solidariedade dos presidentes da Câmara Municipal da Covilhã e do IPDAL perante a guerra desencadeada pela Rússia, em fevereiro de 2022.
O terceiro painel, “O Regresso do Gigante Silencioso: A América Latina na Encruzilhada Geopolítica”, analisou o posicionamento dos países latino-americanos num contexto internacional em transformação. Participaram Raul Silvero, embaixador do Paraguai; José Javier Mulino Quintero, embaixador do Panamá; Rhina Bardi, embaixadora de El Salvador; José Ramón Saborido Loidi, embaixador de Cuba; Raimundo Carreiro Silva, embaixador do Brasil; e Germán Grisales, embaixador da Colômbia. A sessão foi moderada por Paulo Neves.
O encontro contou ainda com a participação da Embaixada do Peru em Portugal e de Carmenza Jaramillo, presidente do Conselho Consultivo do IPDAL, na sessão de encerramento.

















