Covilhã celebra direitos das mulheres através da “Arca da Opressão”

A Covilhã assinalou o Dia Internacional da Mulher, um evento de sensibilização dedicado à reflexão sobre a desigualdade de género e os desafios presentes na sociedade.

O movimento organizado pelo núcleo local do Movimento Democrático de Mulheres (MDM), reuniu participantes e representantes da comunidade, para um momento de reflexão.

A atividade representada pela metáfora da “arca”, coloca as ideias sobre os preconceitos, desigualdades e situações de opressão, que continuam presentes na vida de muitas mulheres. 

Lídia Salgueiro, membro do MDM, conta que a ideia surgiu junto do grupo de amigas, após a decisão de dar vida ao núcleo do MDM na Covilhã: “Sentimos que é necessário falar sobre estes assuntos, ocupar o espaço público e lembrar que a igualdade é uma questão de direitos humanos”, destacou.

Mónica Ramôa, membro da MDM, afirma que arrumaram “dentro da arca tudo aquilo  que oprime as mulheres — preconceitos, violência, desigualdades”. Conclui que o desejo de “fechá-la para que nunca mais se abra”. Ao longo do evento, uma jovem intérprete expôs músicas de sensibilização e de luta pela igualdade, entre elas Que Força é Essa”, de Sérgio Godinho, com a  adaptação interpretada por Gisela João. A performance contou ainda com a leitura de um poema sobre as mulheres efetuado por uma menina de nove anos, que emocionou o público

Carmo Teixeira, atriz, destaca que “as desigualdades persistem apesar dos avanços conquistados, existindo uma desigualdade salarial e falta de oportunidades”. Nota que mesmo com mais mulheres presentes no ensino superior, esses lugares continuam maioritariamente ocupados por homens. referiu ainda a realidade das mulheres no interior do país. Carmo Teixeira, referiu que a falta de oportunidades pode acentuar desigualdades e levar jovens a abandonar estas regiões.

Regina Gouveia, vereadora da Cultura da Câmara da Covilhã, realça que a igualdade plena ainda está longe de ser alcançada, apontando a persistência da violência doméstica como um problema que continua a afetar muitas mulheres: “Enquanto houver violência doméstica, enquanto houver homens a desrespeitar mulheres, não está tudo bem.”, disse vereadora. 

 

 

Para Cristina Maximino, chefe de secção da Ação Social Covilhã, as cidades mais pequenas, como a Covilhã, podem oferecer redes de apoio importantes, apesar de poderem existir menos oportunidades ao nível do emprego. A responsável mostra ainda que viver no interior não tem necessariamente de ser um fator limitativo.

A dimensão internacional esteve presente com Nila, ativista iraniana, que apelou à união global em torno desta causa, alertando a proteção dos direitos das mulheres, porque “se não continuarmos o movimento pelos direitos das mulheres, podemos acabar por voltar atrás no tempo.” 

No final do evento, fechou-se a arca e reforçou-se a importância de continuar a debater estas questões, e de manter viva a luta por uma sociedade mais justa e igualitária.

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