Muito além dos livros

Estudantes de Medicina mostraram faceta artística no Meds Got Talent.

Durante o dia aprendem anatomia, fisiologia e prática clínica. À noite, sobem ao palco para mostrar um outro lado. Foi com este espírito que arrancou a 16ª edição do “Meds Got Talent”, o concurso de talentos dos estudantes de Medicina da Universidade da Beira Interior que dá a conhecer a veia artística dos futuros médicos. O espetáculo teve lugar na Faculdade de Ciências da Saúde (FCS), no Grande Auditório, no passado dia 12 de maio.

Mais do que um espetáculo, a iniciativa tem vindo a afirmar-se como um espaço de expressão pessoal, criatividade e ligação entre estudantes, numa altura particularmente exigente do calendário académico.

“É um marco bastante importante no nosso ano letivo”, afirma Salvador Campos, presidente da direção do MedUBI, núcleo de estudantes de Medicina. “É quando começam a terminar os grandes eventos da faculdade e começamos a pensar mais no estudo e nos exames. Acaba por ser um fecho do ano letivo em que as pessoas se reúnem e reveem aquilo que foi este ano.”

Segundo a organização, o objetivo do evento também passa por contrariar a imagem estereotipada dos estudantes de Medicina como pessoas exclusivamente focadas no estudo.

“Queremos mostrar outra faceta dos alunos de Medicina, que não estudam só”, explica Sara Bernardo, do Departamento Cultural do MedUBI. Além das atuações em palco, o concurso inclui também categorias como poesia, fotografia e desenho, permitindo destacar diferentes formas de expressão artística. Num curso frequentemente associado a elevados níveis de pressão e desgaste emocional, o “Meds Got Talent” surge também como uma pausa necessária na rotina académica. “É feito mesmo para as pessoas se abstraírem do estudo e se divertirem um bocadinho, que é muito preciso para a nossa saúde mental”, refere Sara Bernardo.

Para os estudantes envolvidos, a arte não representa apenas entretenimento, mas também uma componente importante da formação humana e relacional de futuros profissionais de saúde. Salvador Campos acredita que a expressão artística pode influenciar positivamente a prática médica:

“Quem tem este toque extra de artístico, tem uma facilidade mais inata na forma como fala com os pacientes e se relaciona com eles. Nós vemos que os nossos colegas que têm esta prática desvencilham-se de uma maneira que é diferente.”

Ao longo de 15 edições, o “Meds Got Talent” tornou-se uma tradição académica na comunidade estudantil da Universidade da Beira Interior, reunindo alunos de diferentes anos num ambiente marcado pela proximidade, humor e partilha.

“Quando entrei aqui no, primeiro ano, não conhecia esta realidade. Ficava sempre boquiaberto com o talento destas pessoas”, recorda Salvador Campos. “Mostram que fazem muito mais do que apenas estudar e querer ser médicos.”

Para Sara Bernardo, essa é precisamente a principal mensagem que o evento procura transmitir: “Revela que somos muito mais do que marrões de livros. Somos pessoas que querem estar perto dos outros, cuidar e colocar-se no lugar do outro.”

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