UBI e Universidade de Jiaxing reforçam cooperação no ensino e na investigação

Dois acordos estabelecem as bases para a criação de um instituto de cooperação académica na China e de um laboratório conjunto dedicado à perceção multimodal e à robótica inteligente.

A Universidade da Beira Interior (UBI) e a Universidade de Jiaxing, na China, deram um novo passo no reforço da parceria que mantêm há vários anos, com a assinatura de dois acordos de cooperação nas áreas do ensino e da investigação. Os entendimentos preveem a criação de estruturas conjuntas que permitirão aprofundar a formação académica, a mobilidade e o desenvolvimento de projetos científicos, com particular incidência na engenharia e nas tecnologias avançadas.

Os documentos foram formalizados a 14 de outubro, durante uma visita de representantes da universidade chinesa à Covilhã. A Reitora da UBI, Ana Paula Duarte, e o responsável pela delegação da Universidade de Jiaxing, YU Jianming, assinaram um memorando de entendimento para a criação de um Instituto de Cooperação no Ensino Sino-Estrangeiro e uma carta de intenções para estabelecer o Laboratório Conjunto Zhejiang–Portugal para Perceção Multimodal e Robótica Inteligente.

O futuro instituto terá como principal objetivo aprofundar a cooperação no ensino superior, estando prevista a preparação de uma candidatura conjunta ao Ministério da Educação da China para a sua criação formal em Jiaxing. Numa fase inicial, a estrutura deverá disponibilizar cursos da UBI na área da engenharia, reforçando a presença internacional da oferta formativa da Universidade.

Por sua vez, o laboratório conjunto pretende promover a investigação científica, a formação avançada e a circulação de estudantes e investigadores entre as duas instituições. O acordo prevê ainda o desenvolvimento de projetos científicos comuns e a preparação de uma candidatura ao programa Zhejiang Provincial International Joint Laboratory Cooperation Project.

As áreas de trabalho inicialmente identificadas incluem a perceção multimodal, a robótica inteligente, o fabrico avançado e a robótica móvel. Após a análise das competências e infraestruturas disponíveis na UBI, a cooperação foi alargada a outros domínios, como a visão computacional, a inteligência artificial, os sistemas autónomos, a energia, os sistemas mecatrónicos e as tecnologias de informação.

“Os dois documentos complementam-se: o Joint Institute está orientado para o ensino e a formação, enquanto o Joint Laboratory cria o enquadramento para aprofundar a investigação conjunta”, explica Pedro Dinis Gaspar, docente do Departamento de Eletromecânica e responsável pela coordenação da ligação entre a UBI e a Universidade de Jiaxing.

Para o docente, a formalização dos acordos “representa a criação de uma estrutura estável de colaboração”, em alternativa a uma relação assente apenas em projetos científicos pontuais. Este enquadramento, acrescenta, “facilita a preparação continuada de projetos, publicações, mobilidade e formação conjunta”.

A parceria poderá também abrir novas oportunidades de financiamento na China, reforçar a internacionalização da formação da UBI e facilitar a mobilidade de estudantes e docentes. Entre as possibilidades em análise está ainda o desenvolvimento de programas de pós-graduação em regime de cotutela.

Pedro Dinis Gaspar destaca igualmente os benefícios da partilha de competências e recursos entre as duas instituições. “Existe ainda uma vantagem científica importante decorrente da complementaridade de competências e infraestruturas”, refere o docente, que antevê “a participação em mais projetos internacionais, maior circulação de investigadores e estudantes, maior produção científica conjunta e maior exposição das unidades de investigação da UBI a redes académicas e industriais chinesas”.

A colaboração entre as duas universidades teve início com o curso de dupla titulação em Engenharia Eletromecânica, que se encontra em funcionamento. A esta iniciativa juntaram-se a mobilidade de docentes e estudantes e a realização de summer camps, que têm contribuído para estreitar as relações académicas e científicas.

“A visita mostrou também que a parceria já se encontra numa fase de maior maturidade”, conclui Pedro Dinis Gaspar, sublinhando a evolução de uma cooperação já existente para um modelo mais estruturado, com novas perspetivas de desenvolvimento no ensino superior e na investigação.

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