“Arca da Opressão” dá voz à luta das mulheres na Covilhã

A Praça do Município, na Covilhã, recebeu este domingo a ação “Arca da Opressão”, organizada pelo Movimento Democrático de Mulheres (MDM) da Covilhã e Belmonte, que assinalou o Dia Internacional da Mulher e convidou os participantes a refletir sobre desigualdades ainda vividas pelas mulheres em Portugal.

O MDM surgiu antes do 25 de abril, em plena ditadura portuguesa, com o objetivo de lutar pelos direitos das mulheres e pela igualdade de género.  

“O nosso movimento sempre pugnou para que as mulheres portuguesas pudessem exercer a igualdade”, afirmou Mónica Ramoa, ativista do MDM presente na iniciativa

Desde a sua fundação, a organização mantém-se ativa na defesa das mulheres, promovendo várias ações de modo a dar visibilidade às desigualdades ainda existentes na sociedade. 

A iniciativa convidou cerca de 50 participantes a colocarem mensagens e objetos simbólicos na “Arca da Opressão”, representando situações que gostariam de ver ultrapassadas na sociedade. Entre os elementos colocados estavam frases como “salários baixos”, bem como objetos associados ao trabalho doméstico, como ferros de engomar e rolos de amassar.

Ao longo do evento foram discutidos temas como a precariedade no Serviço Nacional de Saúde, violência no namoro, os impactos da guerra, o pacote laboral e os desafios relacionados com a inteligência artificial e a consequente objetificação feminina. 

 “Pretende ser uma metáfora daquilo que nós, enquanto mulheres, gostaríamos que ficasse encerrado e nunca mais se abrisse”, explica Mónica Ramoa acerca da “Arca da Opressão”.

A ativista reforçou ainda que, apesar dos avanços, “continuam a recair sobre as mulheres a maior parte deste trabalho [domésticoassim como o cuidado dos filhos”. Lutamos para que as mulheres possam ter um papel numa sociedade de igualdade em relação aos homens e que as mulheres não sintam que devem estar presas ao trabalho doméstico, só se quiserem”, acrescenta.  

 

 

O evento contou também com a presença do presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, que destacou a importância da igualdade de género a sua preocupação com a partilha de mensagens misóginas e machistas no campo digital“O caminho é para a frente e passa sobretudo pelas gerações mais novas”, afirmou. 

A iniciativa teve momentos musicais onde foram interpretados vários temas. Entre as músicas apresentadas estiveram Que Força É Essade Gisela João, Pretty Isn’t Pretty, de Olivia Rodrigo e, Feia, de Carolina Deslandes. 

 

 

Para Sara Justo, participante do evento, a data continua a ser um momento de reflexão e ação: É um dia para não deixar esquecer as lutas do passado e para preparar o futuro. Ainda há muitas questões no dia-a-dia que a maior parte dos homens ainda não compreende da melhor forma, e é por isso que lutamos para que possam realmente ajudar da melhor forma nesta nossa luta pela igualdade.” 

 

O Dia Internacional da Mulher continua a ser assinalado em Portugal com iniciativas que celebram a emancipação feminina e alertam para desafios ainda por ultrapassar, reforçando a mensagem de que a luta pela igualdade de género ainda é uma prioridade. 

Pode ler também