O Jardim Público da Covilhã transformou-se, durante a manhã do dia 30 de maio, num espaço de observação e criação artística. Integrada no ciclo de oficinas promovido pela Galeria António Lopes, a oficina de Desenho de Paisagem, orientada pelo artista plástico Fernando Aranda, reuniu participantes de diferentes idades e experiências para explorar novas formas de olhar e representar o espaço.
Ao longo da sessão, os participantes foram desafiados a experimentar diferentes materiais, técnicas e exercícios de observação. Mais do que ensinar competências de desenho, a atividade procurou estimular uma relação mais atenta com a paisagem, incentivando cada participante a interpretar o lugar a partir do seu próprio olhar.

Segundo Fernando Aranda, a oficina teve como objetivo introduzir os participantes à observação da paisagem e às possibilidades da sua representação gráfica.
“Por um lado, observamos o real, aquilo que estamos a ver, de uma forma analítica, através das formas, texturas e proporções. Por outro lado, também convidamos cada pessoa a trazer a sua individualidade para o desenho”, explica.
Para o artista plástico, o desenho de paisagem distingue-se de outras formas de representação pela relação direta que estabelece com o espaço. “É uma espécie de imersão. Estamos dentro da paisagem, experienciamos o espaço e depois representamo-lo”, afirma.
A oficina reuniu participantes com percursos diferentes, desde estudantes a artistas amadores. Matilde Ferreira, de 16 anos, estudante de Artes do ensino secundário, procurou aprofundar conhecimentos para além do contexto escolar e destaca a forma como a experiência alterou a sua perceção do espaço. “Quando passo aqui não estou a reparar na água. Aqui reparo mais nos detalhes, para onde vai e como fica”, conta.

Também Lisa Cunha, de 71 anos, é artista plástica, mas só depois da reforma encontrou a paixão na arte. Apesar de já frequentar regularmente atividades artísticas, considera que exercícios deste género continuam a desafiar a sua forma de observar. “Já passei aqui muitas vezes, mas nunca me sentei a olhar para a paisagem. Muitas vezes passamos e não olhamos”, sublinha.
A acessibilidade às artes foi outro dos aspetos destacados por Fernando Aranda. O formador considera importante criar espaços onde qualquer pessoa possa contactar com práticas artísticas, independentemente da sua formação ou experiência prévia. Nesse sentido, a oficina integrou uma programação que procura aproximar a comunidade covilhanense das artes visuais através da experimentação e da participação.






















