Com a moderação da jornalista Maria Flor Pedroso, o Painel de Jornalismo do fórum ocupou a UBI durante uma tarde dedicada à função jornalística. Na ocasião, defendeu-se devido à crescente quantidade de informação disponível dentro da sociedade, o jornalismo ganha diferentes contornos. Patrícia Figueiredo, jornalista da SIC, ofereceu uma visão sobre o jornalismo local, salientando que o Interior tem características essenciais ao desempenho do trabalho: “O jornalismo de proximidade permite-nos contar histórias que afetam diretamente a vida das pessoas e que, muitas vezes, não teriam visibilidade sem o nosso trabalho. No Interior, percebemos isso todos os dias”. Esta parte do país ajuda a reproduzir uma certa realidade, defendeu: “Há problemas, preocupações e também histórias de sucesso que precisam de ser contadas. Trabalhar a nível regional, numa televisão nacional, permite-me perceber que o que acontece localmente pode ter uma dimensão muito maior. O local não é menor: muitas vezes, é a partir dele que compreendemos os problemas do país”.
O futuro do jornalismo é algo questionado frequentemente pelos entendidos da área. O quotidiano da profissão sofre com dificuldades geradas pelas novas realidades, como refere a jornalista: “A falta de tempo, a redução das equipas nas redações e a pressão para produzir cada vez mais conteúdos e mais depressa são, na minha opinião, alguns dos maiores obstáculos”, e realça: “Há também a desinformação e a pressão das audiências, que podem levar a privilegiar aquilo que gera mais cliques em vez daquilo que é verdadeiramente importante, ou seja que interessa ao público”.
A dependência do jornalismo de terceiros pode condicionar a qualidade da informação e o próprio funcionamento da função, o que força os jornalistas a procurarem soluções: “Acho que a resposta passa por reforçar a independência editorial e não deixar que os interesses económicos, políticos ou as audiências determinem aquilo que é notícia. Sei que não é tarefa fácil, mas é importante que haja esforço nesse sentido. É fundamental diversificar as fontes, questionar os poderes e ter coragem para abordar assuntos incómodos”.
Os novos tempos exigem uma adaptação da profissão aos novos meios e público, um tema que coloca a definição do jornalismo como algo mais abstrato: “Acredito que o futuro do jornalismo passa pela capacidade de nos adaptarmos às novas tecnologias, sem perdermos aquilo que é essencial e exigível à profissão: o rigor, a credibilidade e a independência”. Todos podem partilhar informação, mas nem todos podem fazer jornalismo. No entanto, os jornalistas precisam de manter a credibilidade. “O nosso papel é confirmar os factos, questionar, contextualizar e ajudar as pessoas a perceber o que realmente acontece. Mais do que sermos os primeiros a dar uma notícia, temos de continuar a ser uma fonte de confiança”.
Para as novas gerações, são vários os desafios. Da aprendizagem à prática, a aplicação dos ensinamentos nem sempre tem lugar no mercado de trabalho, como explica Patrícia: “Na formação, os estudantes aprendem princípios fundamentais, como o rigor, a confirmação das fontes e a independência. Mas quando chegam às redações, encontram uma realidade marcada pela rapidez e pela pressão para produzir. O desafio é não deixar que essas exigências se sobreponham à ética”.
































