Deito a cabeça na almofada. Mais um dia passou e o cansaço pesa. Os olhos fecham-se, pronta para dormir. Quando alguém entra, de braço dado com a insónia.
Alguém que não bate à porta, não faz barulho, não se deixa ver e senta-se. Simplesmente senta-se.
Escolhe um sítio tão confortável que não parece ir embora tão cedo. Começa então a falar, mas a voz não se ouve, mas que por algum motivo ensurdece cá dentro.
“E se…”, “E se…”, “E se…”.
E se não for suficiente, e se não conseguir lidar com tudo, e se nunca for alguém na vida ….
Suspiro. Arrepio-me. Sinto o medo porque sei o que se segue.
Levanta-se e vem até mim, mete as mãos à volta do meu pescoço e respirar passa a ser um privilégio que não é meu, as lágrimas caem e o peito aperta, como se alguém estivesse em cima de mim, e começo a sentir-me fraca enquanto o eco continua, “e se…”.
Os tremores, os suores, a náusea, palpitações como se estivesse realmente doente.
Imploro que pare, enquanto tento pensar em coisas boas, mas cada vez é mais real, mais vívido como ver um filme em 3D no cinema, ou estar com uns óculos de realidade virtual que não consigo arrancar.
Quando finalmente para e o silêncio regressa.
Não preciso de tentar perceber quem é, muito menos perguntar o nome.
Ansiedade é o nome dela, e que bem que eu a conheço.




