Nas Beiras também há ciclismo

Após a conclusão do Grande Prémio das Beiras, que se realizou entre os dias 22 e 24 de maio, levanto algumas questões, que acredito serem pertinentes para avaliar a qualidade das provas realizadas na região das Beiras e Serra da Estrela, comparativamente a uma Volta a Portugal.

Ambas são provas do mesmo nível. Nas categorias atribuídas pela União Ciclista Internacional (UCI), ambas se encontram na categoria 2.1, sendo o segundo maior escalão de provas de nível internacional. Porque é que isto é importante?

Antes, o Grande Prémio das Beiras era uma prova 2.2, um nível abaixo de onde se encontra atualmente. Para se subir de nível, são precisos bons relatórios de avaliação, exigência de percurso adequada aos profissionais e o interesse das equipas na prova em questão. E não foi de um ano para o outro que subiram de nível. Para se subir, é necessário, pelo menos, três anos de relatórios de avaliação positivos. Não é qualquer prova que consegue subir em tão pouco tempo, e esta evolução é ótima, sobretudo sendo esta a única prova por etapas portuguesa 100% realizada no interior.

Ciclistas na passagem pela Covilhã. Foto: Tiago Ferreira/Grande Prémio das Beiras e Serra da Estrela

De seguida, temos em conta a elevada dureza do percurso. Mas a Volta a Portugal também não é dura? É, mas não da mesma forma. Na Volta, há dias duros, e bem duros. Mas, em 10 dias de competição têm sempre uma ou duas etapas mais “fáceis”, onde o pelotão não puxa tanto, como se cada pequena subida fosse marcar a diferença.

No Grande Prémio das Beiras, se alguém pensa que vai conseguir ter um dia tranquilo…engana-se perfeitamente. Durante os três dias de competição, são subidas sem fim à vista, com etapas a rondar os 200 kms. Do ciclista, no final, nem a alma sobra, estando em sofrimento conjunto com as pernas. E aqui, todas as subidas, das mais ligeiras às mais pesadas, são oportunidades de marcar a diferença.

E estes são apenas aqueles que, para mim, são os pontos mais evidentes entre ambas as corridas. E no final das contas, cada vez mais me questiono: Porque é que se criam estas diferenças, quando ambas as provas são das mais duras que o calendário nacional apresenta? Continuaremos sem resposta, mas ao menos que venham estes três dias, e que se mostre ao país e ao mundo o que as Beiras têm a oferecer à modalidade.

Fotos: Tiago Ferreira/Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela

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