A Biblioteca Central da Universidade da Beira Interior (UBI) ganhou um novo espaço dedicado à promoção da cultura na terça-feira, 19 de maio. A inauguração da Sala da 7ª Arte, destinada ao visionamento de filmes e à preservação do património audiovisual, ocorreu às 14h30 na sala de leitura da biblioteca. A cerimônia reuniu docentes, estudantes e representantes da reitoria da UBI
O espaço , localizado no primeiro piso da biblioteca, permite sessões individuais ou em grupo de até quatro pessoas e disponibiliza um acervo com mais de 1300 DVDs e cerca de 300 VHS, além de revistas especializadas em cinema, como Cinéfilo, Écran e Premiere. Entre os títulos em VHS destacam-se clássicos do cinema português, como A Canção da Terra (1938) e O Pai Tirano (1941).

Para a reitora da UBI, Ana Paula Duarte, o projeto reforça a ligação entre cultura, ensino superior e o curso de cinema da instituição. “É uma maneira de utilizar algo que estaria guardado dentro de gavetas. É muito importante para o bem-estar das pessoas, para que possam usufruir e dar utilidade ao que já existia”, referiu, apontando também a dimensão de preservação do património cultural da universidade.
A mudança no consumo audiovisual devido ao surgimento de plataformas digitais foi um dos temas destacados na cerimônia de abertura. A docente Patrícia Nogueira alertou para o aumento do número de salas de cinema fechadas em Portugal, o que indica uma mudança nos hábitos do público. “As pessoas cada vez mais deixam de pensar o cinema enquanto experiência coletiva e estão a transitar para plataformas onde muitas vezes veem o cinema em formato de telemóvel”, afirmou.
A criação da sala partiu de uma inquietação do funcionário da biblioteca Eduardo Machado, que trabalha no local há 26 anos. “Os DVDs e CDs estavam todos guardados em gavetas. Perguntei porque não se criava um espaço para dar visibilidade àquilo que existe na biblioteca”, explicou. Para sair do papel, o projeto contou com o apoio do Centro de Recursos de Ensino e Aprendizagem (CREA), responsável pela adaptação do espaço e pela definição dos equipamentos.


A diretora da Biblioteca Central, Rosa Marina Afonso, explicou que a iniciativa foi pensada como uma forma de sustentabilidade e valorização cultural. “Existia realmente este património da universidade e decidiu-se criar uma maneira de o tornar visível e acessível à comunidade”, afirmou, sublinhando ainda o papel transformador da biblioteca: “A biblioteca é um espaço de futuro, de abrir, de dar recursos, de criar um espaço de desenvolvimento, de inovação e até de mudança social nos alunos.” Já a chefe de divisão da biblioteca, Sandra Pinto, destacou a experiência sensorial proporcionada pela nova sala. “Pegar no DVD, ver a capa, mexer no material, tudo isso faz parte da experiência”, disse.
Os docentes também destacaram o valor histórico dos suportes audiovisuais para a formação acadêmica. O presidente da Faculdade de Artes e Letras, Francisco Paiva, afirmou que muitos estudantes já não possuem equipamentos capazes de reproduzir VHS ou DVDs, o que reforça a importância da preservação desses materiais.
Entre os estudantes, a nova sala foi recebida de forma positiva. Para a aluna de cinema Inês Pestana, o espaço facilita a análise técnica das obras.“Na minha formação ajuda a perceber melhor o que é que eu posso fazer e dá para analisar plano a plano, cena a cena, como é que o filme é construído”, afirmou. Além disso, a jovem destacou a importância de ter acesso aos filmes estudados em sala de aula que não estão disponíveis na internet ou que exigem pagamento em plataformas digitais.

Já a aluna de cinema Beatriz Sá referiu que a iniciativa contribui para aproximar a teoria da prática e para manter a experiência física do audiovisual. “Acaba por nos envolver no sentido de conseguirmos aplicar aquilo que estamos a aprender nas aulas sobre planos, sobre o que devemos observar ou mesmo sobre as próprias teorias do que é o cinema”, disse.
A Sala da 7.ª Arte integra a estratégia cultural da UBI no âmbito do Plano Nacional das Artes, que tem promovido a valorização cultural do campus universitário. O espaço está disponível para toda a comunidade acadêmica da UBI, de segunda a sexta-feira, entre as 9h e as 20h. Durante o período de férias, o horário de funcionamento passa a ser das 9h às 17h30. Durante a inauguração, a partilha de produções realizadas pelos próprios estudantes foi apontada como um futuro projeto para reforçar o impacto pedagógico do espaço.








































