Acrobacias regressam aos céus da Covilhã

A tradição voltou a casa. O festival aéreo Covilhã Air Show não se realizava na cidade desde o encerramento do aeródromo, em 2011, e regressou no passado domingo, dia 17, ao Complexo Desportivo. Além das famosas demonstrações aéreas acrobáticas, o evento contou com atividades de aeromodelismo, experiências interativas com simuladores de voo, workshops, palestras e vários stands institucionais e comerciais, atraindo milhares de curiosos, para recuperar a ligação histórica da cidade à aviação.

A iniciativa foi organizada pelos estudantes de Engenharia Aeronáutica da Universidade da Beira Interior, em parceria com a Câmara Municipal e com o apoio da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC).

O presidente do Núcleo de Estudantes de Engenharia Aeronáutica da UBI (AEROUBI), Tomás Silva, sublinha que a intenção passa por devolver à Covilhã “aquilo que sempre lhe pertenceu” e que a ideia surgiu da vontade de “aproximar o festival ao coração da cidade”. O responsável destacou também o principal desafio na realização do evento: “Fazer um festival aéreo fora de um aeródromo é algo difícil e muito raro, então tivemos de arranjar uma forma de trazer os aviões para cá”. Neste caso, para as operações de descolagem e aterragem foram usadas as pistas de Castelo Branco e de Viseu.

Para Tomás Silva, o objetivo é claro: afirmar a Covilhã como um dos maiores palcos da aviação nacional. “Não é por estarmos no interior que temos menos capacidade de fazer as coisas”, reforçou o presidente do AEROUBI, confessando que sente, por parte das gerações mais velhas, um “forte sentimento de nostalgia” com o regresso do evento.

Quem o pode confirmar é Nelson Oliveira, antigo aluno da UBI, que se lembra bem dos tempos em que o festival se realizava no aeródromo da Covilhã. “Era um espetáculo, o evento do ano”, afirma. Este ano veio assistir, equipado com binóculos, para mostrar à filha “o que se faz de inovador e interessante aqui na UBI”, salientando que, mesmo em moldes diferentes, o resultado é muito positivo: “Estou a gostar muito, não só dos aviões, mas também do envolvimento, acho que os alunos são proativos e conseguiram atrair muita gente”.

Já Bruno Coimbra veio pela primeira vez ao Covilhã Air Show, motivado pelas demonstrações aéreas, e também trouxe o filho Martim, de 13 anos, que revelou a parte favorita: “Gostei das acrobacias e de jogar no simulador, em que temos um comando ligado a um computador e podemos conduzir um avião”. Apesar do entusiasmo, Martim admite que não gostava de ser piloto: “Tenho medo, mas gosto muito de ver”.

 

As demonstrações aéreas foram o ponto alto do dia, com exibições de pilotos como Luís Garção, Hélder Guerreiro, Pedro Cunha Pereira e também a Patrulha Fantasma, uma formação composta por dois pilotos em sintonia numa coreografia de aeronaves.

Mas o grande destaque foi Camilo Benito, campeão de Espanha de Voo Acrobático, que brindou o público com manobras radicais, em vários momentos ao longo da tarde.

 

Entre os vários expositores presentes na feira de oportunidades do Covilhã Air Show, estiveram a Força Aérea, com atividade interativas, e o projeto Rocketry Unit of Beira Interior (RUBI), desenvolvido por alunos de Engenharia Aeronáutica, com o objetivo de promover a formação prática na área.

Também a ANAC, principal patrocinadora do evento, esteve representada com um stand. Sílvia Santos, responsável pela Comunicação e Imagem da entidade, destaca a aposta na ligação entre os estudantes e o setor da aviação:

“É a nossa estratégia fazer a aproximação entre aquilo que é a realidade da aviação civil e as novas gerações para a captação de novos talentos”.

Segundo a responsável, a necessidade de renovar profissionais no setor levou a ANAC a lançar a campanha “As Tuas Asas Começam Aqui”, com o propósito de divulgar as várias oportunidades de carreira ligadas à aviação.

Sílvia Santos explica que “é uma procura abrangente, não é só para as profissões aeronáuticas”, como pilotos ou técnicos de aeronaves. “Existem também necessidades noutras funções mais transversais ao mercado de trabalho”, refere, sublinhando que procuram licenciados nas áreas de engenharia, matemática, física, geografia, direito ou economia, uma vez que são essenciais ao funcionamento das transportadoras aéreas, aeroportos, escolas de formação e restantes entidades ligadas ao sistema de aviação civil em Portugal.

“O objetivo é mostrar aos jovens que podem exercer uma multiplicidade de funções e que vamos precisar de novos talentos e de tecnologia das novas gerações para levar a bom porto, ou a bom aeroporto, a aviação”, conclui Sílvia.

Quanto ao futuro do festival aéreo, Tomás Silva mostra vontade em continuar a realizar o festival na cidade: “A ideia é continuar por cá, se tudo correr bem”. O dirigente do AEROUBI promete “transformar a Covilhã num polo do setor da aviação civil e da aeronáutica a nível nacional”.

 

 

 

 

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