“Sobreviver” na Covilhã na ótica do imigrante

Guia auxilia alunos sul-americanos a adaptarem-se à cidade neve.

“La Guía del Foráneo”, ou “O Guia do Imigrante” em português, é o projeto mais recente de Camila Heredia. A estudante de mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde contou com a parceria do Núcleo de Estudantes Latino-Americanos da UBI (NELA-UBI) e da associação de desenvolvimento Beira Serra para a composição desta obra que faz parte da sua avaliação no mestrado, que foi apresentada na passada quarta-feira, dia 13, no Auditório da Biblioteca Central.

Este manual, escrito em formato de história, conta as experiências dos estudantes latino-americanos na Covilhã, com o objetivo de ajudar quem precisar de saber sobre locais específicos para encontrar certos produtos, experiências sociais, e locais para convívio ou serviços e documentação necessária.

Com o aumento da população latino-americana na Covilhã, a equatoriana sentiu a necessidade de partilhar não só as suas experiências, como as de outros membros da comunidade. O propósito é mostrar que ter experiências, sobretudo negativas, faz parte do processo de adaptação: “As histórias que levaram à criação deste guia servem para o pessoal sentir que não está sozinho”, explica. “Quando chegamos cá sentimos sempre que somos os únicos a passar por este tipo de situações, e queremos que percebam que afinal passamos todos pelo mesmo”, acrescenta a autora.

Quando chegou à cidade neve, em 2021, Camila Heredia sentiu que a adaptação foi relativamente mais fácil do que aquela pela qual a sua comunidade tem de passar agora, na medida em que os jovens latino-americanos eram vistos como uma novidade. A população sentia necessidade de compreender mais sobre as suas origens e cultura, enquanto atualmente, os recém-chegados sentem que são “só mais um imigrante”.

Apesar da necessidade de compreender e aprender a cultura portuguesa, estes estudantes desvalorizam aquilo que os caracteriza: “Embora estejamos aqui para nos adaptarmos à cultura portuguesa, também não estamos aqui para deixar de ser nós, porque aprender uma nova cultura não significa deixar a nossa de lado”, argumenta Camila.

É neste contexto que o NELAUBI entra, através da criação de um espaço que torna a integração mais fácil para estudantes oriundos da América Latina, onde podem ter a sua “casa longe de casa”. Gabriel Nicolella, presidente do núcleo, afirma que para além desse propósito, o NELA existe com o objetivo de apoiar os membros da sua comunidade: “O NELA deve mostrar que para além de representar, faz uma representação ação, no sentido de fazer este tipo de coisas e envolver-nos com a comunidade. Esse manual é um exemplo claro disso”.

O guia será disponibilizado brevemente no site da Beira Serra, em formato digital, e acessível a todos que queiram usufruir dele.

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