O sabor agridoce da despedida da Covilhã
O pôr do sol no horizonte e a cidade que me viu crescer nestes últimos três anos a ficar para trás. Para muitos, as lágrimas caem ao longo do rosto, para outros a despedida era o que mais ansiavam. É com o quarto cheio de caixas e ainda sem acreditar naquilo que a realidade me transmite, que tento colocar por palavras aquilo que vivi nos últimos anos.
A rotina que tantas vezes critiquei e de que constantemente me queixei vai chegar ao fim. E o que faço a todas as memórias que trago comigo? Acho que por vezes o medo de as perder me consome, pois este é o único elo que tenho ao passado, e especialmente a estes últimos três anos.
O lado amargo desta despedida é o eco da minha casa e da universidade vazia, dos amigos que se deixam para trás, das conversas sem fim, trabalhos infinitos e aquele sentimento de casa numa cidade que me acolheu. A minha felicidade é que a minha partida não vai mudar nada, pois o meu café favorito vai continuar cheio e as paisagens que sempre admirei vão continuar lá, para outros tal como eu, se poderem encontrar.
Para além da cidade deixo também um pedaço de mim, porque em todos os locais por onde passamos deixamos uma marca, e levamos também algo connosco. Da Covilhã espero levar a brisa fresca pela manhã, o rigor dos invernos e a suavidade dos verões. De quem me acompanhou levo o companheirismo e a cumplicidade forjada na entreajuda, entre gargalhadas partilhadas no estúdio e em desabafos ao fim da noite.
Mas é no meio deste aperto que consigo encontrar o lado doce da despedida, do crescimento e evolução para a pessoa que sou hoje e das relações com os que me rodeiam, na certeza de que fiz a diferença na vida de alguém. A Covilhã é sinónimo de viver em comunidade, perto uns dos outros e para os outros. Anseio levar um pouco dessa comunidade comigo, e aplicá-la em todo o lado onde estiver.
Ao sair desta cidade pela última vez, uma nostalgia toma conta do meu corpo, mas mais uma vez a Covilhã continua indiferente à minha partida. Poderia passar aqui mais três anos, mas o sabor não seria o mesmo, pois são as pessoas com que estamos que fazem os sítios.
O sabor é agridoce de ver estas paisagens pela última vez, mas o que mais sinto é gratidão, e a certeza de que vou levar tudo o que vivi no coração.






















