Há dias em que o futebol decide tudo

Há dias em que acordamos muito bem-dispostos, sem saber porquê. E há outros em que se dá o oposto, onde tudo parece correr mal, mesmo sem qualquer motivo evidente. 

Por vezes, a explicação está no jogo da última noite. 

Em Portugal, o futebol não é apenas um desporto. É uma forma de estar. É um estado de espírito. Um simples resultado pode alterar completamente o humor de uma pessoa. Uma vitória dá uma alegria e uma leveza ao dia, quase como se tudo estivesse alinhado de forma a correr bem. Já uma derrota…essa causa tristeza e arrasta-se no tempo. Fica no ar, na forma como se responde, no silêncio e nas expressões. 

Basta olhar à volta. No café, na escola, nos transportes públicos. É muito fácil saber quem ganhou e quem perdeu… não é necessário perguntar. Está na cara das pessoas, na forma como elas comunicam e na vontade com que falam sobre o assunto. 

Ser adepto de um clube como o Sport Lisboa e Benfica, por exemplo, é uma montanha-russa de emoções. Há dias em que tudo parece possível, até mesmo um golo do guarda-redes aos 98 minutos, como aconteceu há meses contra o Real Madrid. E outros em que uma simples bola ao poste pode “estragar” a semana a muitos adeptos, como no dérbi da penúltima jornada da época transata. 

O mais curioso nisto tudo é que, no fundo, sabemos que não podemos controlar nada daquilo. Não estamos lá, logo não tomamos as decisões por jogadores ou treinadores, nem marcamos golos. Nada. Ainda assim, sentimos tudo como se fizéssemos parte daquele jogo e deixamos que as nossas emoções falem mais alto. 

Talvez seja isso que torna o futebol tão poderoso. Não é sobre ganhar ou perder. É sobre ter um sentimento de pertença a algo maior que um simples desporto. Uma vitória não é uma vitória. E uma derrota não é uma derrota. É muito mais que isso. É história que é feita a cada semana, a cada jornada. 

Existe um lado, neste sentido, que raramente é discutido: quando o futebol começa a ter um peso muito grande na vida de cada um. Quando uma vitória ou uma derrota do nosso clube afeta mais do que devia. Aí, há um descontrolo emocional. Há o facto de não se saber ganhar e fazer troça dos adversários. Nas derrotas, há o deixar-se levar pela negatividade de tal modo que nos esquecemos do que é realmente importante: a própria vida. 

No fim, fica a questão: será que somos nós, enquanto adeptos ou simpatizantes pelo futebol que acompanhamos o desporto…ou é o futebol que nos leva a nós? 

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